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Eurogrupo pede que Grécia acelere as reformas exigidas pela UE

"Foi um debate muito duro", reconhece Jeroen Dijsselbloem, que preside a instituição

O ministro de Economia espanhol e o ministro grego de Finanças.

Os ministros das Finanças da zona do euro pediram nesta sexta-feira num tom “muito crítico” ao ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, que “acelere” as negociações com a troika sobre o plano de reformas completo exigido pela União Europeia em troca do desbloqueio de uma parcela da ajuda urgente do resgate. “Serei bastante franco: foi uma discussão muito crítica”, disse o presidente do Eurogrupo (instância que reúne ministros de Finanças e outras autoridades da zona do euro) Jeroen Dijsselbloem, quando perguntado se os ministros tinham atacado Varoufakis durante a reunião por causa do pouco progresso nas negociações.

“Esperávamos ouvir resultados positivos e um acordo sobre o qual decidir, mas ainda estamos muito longe disso. Então, sim, foi uma discussão muito crítica e houve um grande sentimento de urgência na sala”, enfatizou Dijsselbloem.

Já o ministro de Economia da Espanha, Luis de Guindos, fez eco à “frustração” que as táticas de negociação do novo governo grego do Syriza provocaram nas instituições da troika e disse que, durante a reunião, os ministros manifestaram suas “dúvidas”, “incertezas” e “senso de urgência”.

“Foi um sinal de alerta significativo ao Governo grego de que deve abordar o problema, tanto do ponto de vista dos conteúdos como das formas, de maneira diferente”, observou Guindos.

Varoufakis respondeu às críticas dizendo que “se existe uma maneira de tornar esse processo mais eficaz e menos difícil, estamos abertos a sugestões”, mas rejeitou totalmente o retorno às antigas missões da troika a Atenas.

“Resistiremos —não por razões dogmáticas, mas porque pensamos que não funciona— à ideia de regressar a um processo que fracassou tão estrepitosamente no passado", deixou claro.

Negociação de líderes

Na quinta-feira, o epicentro da negociação foi em Bruxelas, onde o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, à margem da cúpula sobre a imigração. Merkel e Tsipras acordaram, de acordo com a imprensa grega, metas fiscais mais acessíveis para Atenas: superávit primário (antes do pagamento de juros) de 1,2% do PIB neste ano e de 1,5% do PIB no próximo, além de uma agenda de privatizações. Mas as posições da Grécia e de seus credores continuam longe do cerne da questão: o aumento do IVA, a reforma trabalhista e uma nova redução nas pensões, que Atenas não quer ver nem pintada porque trairia seu programa eleitoral: fim da austeridade que degola a economia grega, que enfrenta grandes problemas por conta da queda da atividade, da fuga de capitais e do desmoronamento das receitas públicas.

A Grécia continua otimista sobre o acordo; os demais países, nem tanto. O acordo pode ser alcançado na reunião do Eurogrupo de 11 de maio, ou até mesmo em uma reunião extraordinária na próxima semana em caso de progressos em Riga. A posição alemã (e, portanto, europeia) é clara: dinheiro em troca de reformas. A grega também é: as reformas não significam cortes. Em Riga se espera, nesta sexta-feira, algum ruído e muito poucas novidades.

O sentimento em Bruxelas é que a Grécia precisa sair dessa situação com dinheiro para os pagamentos futuros, mas que o item importante é o terceiro resgate, New Deal ou o que se queira chamar, para o final de junho. O resto é teatro, a menos que Atenas fique realmente sem dinheiro e as vozes apocalípticas que falam de default dentro ou fora do euro tenham razão. “Não pode haver default dentro do euro sem controles de capital e isso poderia levar a economia grega ao colapso. As especulações se multiplicam quando não há informação”, ressaltam fontes europeias.

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