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Protestos estudantis pró-democracia em Hong Kong têm 74 detidos

Ao menos mil pessoas continuavam a protestar no sábado em frente à sede do Governo local

Estudante detido na sede do Governo em Hong Kong.
Estudante detido na sede do Governo em Hong Kong. AP

Ao menos 74 manifestantes foram detidos neste sábado em Hong Kong, depois que se completou nesta madrugada uma semana da greve estudantil para exigir mais democracia nas próximas eleições locais, o que provocou enfrentamentos entre a polícia e os jovens que ocupavam a praça em frente à sede do Governo local. Joshua Wong, de 17 anos e um dos líderes da greve, foi detido nos distúrbios noturnos e teve a liberdade sob pagamento de fiança negada, ainda que até agora as autoridades de Hong Kong não tenham definido quais são as acusações contra ele.

Cerca de 1.000 pessoas continuavam concentradas neste sábado nas cercanias da praça Cívica, em frente à sede do Executivo de Hong Kong, que está cercada há três meses, desde uma manifestação anterior. Muitas chegaram após tomar conhecimento dos acontecimentos da noite anterior, na qual agentes da polícia anti-distúrbios chegaram a usar gás de pimenta para dispersar os manifestantes. Segundo as forças de segurança, em seu momento de auge, o protesto da noite chegou a ter 5.000 manifestantes.

Em um comunicado de imprensa lacônico, o Governo de Hong Kong expressou seu lamento pela ocupação do complexo governamental e disse que equipes de segurança, agentes de polícia e manifestantes ficaram feridos durante a noite. No total, 13 pessoas foram detidas de madrugada e 61 ao longo do dia.

As redes sociais foram tomadas por comentários de indignação e surpresa, além de fotos de agentes da polícia com equipamento de choque completo enfrentando manifestantes que se protegiam com guarda-chuvas e garrafas de água.

O músico Edmund Leung, de 50 anos e que se juntou aos manifestantes depois da meia-noite, se perguntava: "Por que tanta força policial, para que os escudos, se a única coisa que os rapazes fizeram foi recuperar uma praça supostamente pública?".

Os líderes do movimento civil pró-democracia Occupy Central (OC), os professores Benny Tai e Chan Kin-man e o reverendo Chu Yiu-ming, se uniram aos manifestantes neste sábado de manhã. Os cabeças do OC, cujos objetivos coincidem com os dos estudantes, vinham se mantendo distantes deles para evitar críticas sobre uma possível manipulação dos jovens. O OC ameaça convocar uma série de protestos no distrito financeiro de Hong Kong para exigir uma reforma eleitoral que permita uma votação universal e completamente livre nas próximas eleições da ex-colônia, em 2017.

"Acreditamos que a polícia empregou uma força desnecessária para suprimir o protesto dos estudantes nesta madrugada. Condenamos duramente essa ação, que não somente viola o código de conduta policial como também interfere na liberdade de expressão dos cidadãos", afirmou o OC em comunicado.

Segundo a reforma eleitoral anunciada por Pequim em 31 de agosto, o próximo chefe do Governo local poderá ser eleito por voto universal após ser indicado por um colégio eleitoral formado por 1.200 notáveis, representantes em sua maiores do interesse de empresários e vinculados ao Governo central. Os partidos de oposição já manifestaram que vão vetar essa reforma, que não atende às exigências do OC e do movimento estudantil para permitir a designação livre de candidatos nas eleições locais. Hong Kong é regida desde 1997 pelo lema "Um país, dois sistemas", o que supõe maiores liberdades para a ex-colônia do que no resto da China.

Ao contrário do Occupy Central, mais moderado e que se limita a exigir a livre nomeação de candidatos e sua eleição mediante voto universal, o movimento estudantil tem enfatizado durante esta semana a importância da autodeterminação de Hong Kong, além da necessidade de romper com um sistema político oligárquico. Os dois grupos pró-democracia concordam, no entanto, que é pouco provável conseguir a meta de uma maior liberdade política a curto prazo. Por isso, consideram importante deixar um legado de maior consciência civil em uma cidade sem o costume dos movimentos de rua.

O OC, que havia perdido fôlego desde que Pequim apresentou sua proposta de reforma em 31 de agosto, indicou que pode convocar a primeira manifestação em 1º de outubro, o que coincidiria com o 65º aniversário de fundação da República Popular da China.

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