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Copa do Mundo 2014

O colaborador da FIFA suspeito de revender entradas se entrega à polícia

Ray Whelan, de 64 anos, estava foragido desde a última quinta-feira

Ray Whelan, no último dia 7 de julho.
Ray Whelan, no último dia 7 de julho. AP

Como se tivesse firmado um pacto com alguém para não continuar manchando a semana mais importante da Copa do Mundo no Brasil, o fugitivo britânico Ray Whelan, de 64 anos, entregou-se nesta segunda-feira à Justiça do Rio de Janeiro depois de permanecer foragido desde a última quinta-feira.

Whelan, diretor da empresa sócia da FIFA Match Services, tinha escapado por uma porta traseira do luxuoso hotel Copacabana Palace (onde estava hospedado com a diretoria da Federação) apenas 15 minutos antes de a polícia chegar ao local para detê-lo pela segunda vez.

Quarenta e oito horas antes, ele tinha sido liberado da prisão por causa de um habeas corpus aceito por uma juíza carioca que considerou “ilegal” a primeira e breve detenção do principal suspeito de encabeçar um grupo ilegal de revenda de entradas para partidas da Copa, desarticulado na semana passada no Rio e em São Paulo após três meses de investigação policial. A Match Services é a empresa que administra exclusivamente os pacotes de luxo de entradas da Copa, e se encarrega também de fechar acordos com hotéis para os campeonatos. Ela é controlada pela Infront, empresa da qual é acionista (com 5%) Phillip Blatter, sobrinho do presidente da FIFA.

A entidade que dirige o futebol mundial negou ter qualquer responsabilidade com estas fraudes e assegurou que luta “100%” contra a revenda ilegal, apesar de a polícia carioca ter ocultado a investigação da própria FIFA por medo de que a informação vazasse. A operação, chamada Jules Rimet, causou até agora a detenção de 12 pessoas, incluindo Whelan e Lamine Fofana, o empresário argelino considerado pela polícia como o número dois da rede, preso em um apartamento do Rio de propriedade do ex-jogador brasileiro Júnior Baiano. Baiano e outros ex-jogadores e campeões mundiais são investigados por sua relação com Fofana, assim como membros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e até mesmo, segundo afirmou um porta-voz oficial, as federações espanhola e argentina.

Whelan estava acompanhado de seu advogado, Fernando Fernandes, e disse que desejava “iniciar, finalmente” sua defesa. No decorrer da operação, a polícia gravou 50.000 conversas telefônicas com autorização judicial. Os dados oferecidos pelo responsável da investigação, Fábio Barucke, chefe da 18ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, permitem presumir que Fofana atuava como cabeça de uma rede com altas conexões na própria FIFA que organizou um negócio ilegal de revenda de entradas para as partidas da Copa operando desde 2002. Atualmente, o lucro por partida podia chegar a um milhão de reais. A rede estava composta por pelo menos trinta pessoas e a atividade era tão lucrativa, segundo Barucke, que seus membros “poderiam esperar tranquilamente por quatro anos, até a Copa seguinte”.