Crise do coronavírus

Argentina supera 100.000 mortos pela covid-19

País está entre os 10 com maior número de óbitos por milhão de habitantes

Bandeira argentina junto a uma cova do cemitério de Chacarita, em Buenos Aires.
Bandeira argentina junto a uma cova do cemitério de Chacarita, em Buenos Aires.Victor R. Caivano / AP

A Argentina registrou nesta quarta-feira 614 novas mortes por covid-19, superando os 100.000 óbitos desde o começo da pandemia. O dado, divulgado pelo Ministério de Saúde, situa a Argentina entre os 10 países do mundo com maior número de falecimentos por milhão de habitantes, num revés para o Governo de Alberto Fernández neste ano eleitoral.

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O país sul-americano cruzou a barreira simbólica enquanto enfrenta a uma segunda onda mais letal que a do ano passado e pisa no acelerador para avançar na campanha de imunização. Até o momento, mais de 45% da população argentina recebeu uma dose da vacina, e 11% completaram a pauta de duas doses.

A América do Sul é a região mais castigada pelo coronavírus em mortes por milhão de habitantes. Dentro dela, a Argentina está em quarto lugar, atrás do Peru, Brasil e Colômbia. Como na maioria de países, a população idosa foi a mais atingida: mais de metade dos mortos eram pessoas com mais de 70 anos. O medo da nova doença, além disso, os manteve isolados de seus seres queridos durante meses, com graves transtornos para sua saúde física e mental.

Com a aparição dos primeiros casos, o Governo de Alberto Fernández impôs um isolamento rigoroso em março de 2020, o que permitiu adiar a propagação da doença e contou com um amplo consenso social e político. Quando o país alcançou o pico da primeira onda, no inverno de 2020, o sistema sanitário tinha tido tempo de se reforçar, podendo evitar um colapso hospitalar como o que ocorreu na Espanha, Itália, Peru e Equador, entre outros.

Entretanto, a prolongação da quarentena e seu enorme impacto numa economia que já arrastava dois anos de crise econômica começaram a rachar o respaldo inicial, ao mesmo tempo em que subia o número de casos e o coronavírus se expandia por todas as províncias do país. Com o passar dos meses, as diferenças políticas na gestão da pandemia cresceram, e escândalos posteriores como o posto de vacinação VIP que funcionou no Ministério da Saúde diminuíram a confiança no Governo.

“Prefiro ter 10% mais de pobres do que 100.000 mortos na Argentina”, disse o presidente Fernández numa entrevista publicada em abril de 2020. Agora, aquelas palavras se voltam contra ele. A Argentina sofreu em 2020 uma queda histórica de 9,9% do PIB, devido em grande parte às duras restrições, mas ainda assim elas não evitaram que o país lamente um elevado número de mortes.

A maioria dos óbitos ocorreu durante a segunda onda iniciada em abril passado, de uma virulência muito superior à primeira. As novas cepas são mais contagiosas e causam estragos no sistema respiratório com maior rapidez que as primeiras, segundo infectologistas locais e gestores hospitalares que se viram obrigados a enfrentar situações que não viveram em 2020, como pacientes sem leitos de UTI e profissionais sanitários exaustos após mais de um ano sem trégua. Em maio foram registrados vários dias consecutivos com mais de 700 mortes diárias, um recorde desde o início da pandemia, e o Governo voltou a aplicar novas medidas, como uma drástica diminuição no número de passageiros autorizados a entrar em país, toque de recolher noturno, proibição temporária de atividades em ambientes fechados e a redução do horário de funcionamento dos restaurantes, entre outras. As medidas frearam o número de contágios, mas a adesão é muito inferior à de meses atrás, e o mal-estar continua crescendo.

A oposição aumentou as críticas ao Governo peronista de centro-esquerda pela gestão da pandemia, em especial pela suspensão das aulas presenciais e seu impacto em crianças, adolescentes e famílias, e o lento início da campanha de vacinação. A quatro meses das eleições legislativas ―quando será renovada metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado― a luta contra o coronavírus e a recuperação econômica devem ser os eixos centrais da campanha eleitoral.

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