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Natalie Portman: “Ser sexualizada quando criança me privou da minha própria sexualidade”

Ganhadora do Oscar reflete sobre a importância de não transformar as jovens atrizes em objeto de desejo por seus papéis no cinema e televisão

Natalie Portman, no tapete vermelho do Oscar, em Los Angeles, em fevereiro deste ano.
Natalie Portman, no tapete vermelho do Oscar, em Los Angeles, em fevereiro deste ano.Li Ying / Cordon Press

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Com apenas 11 anos, Natalie Portman deixou muita gente apaixonada ao aparecer no filme O Profissional (1994), de Luc Besson, interpretando Matilda, uma menina cuja família foi assassinada e aprende a manejar armas de fogo com a ajuda do pistoleiro León, a quem chega a declarar seu amor. Dois anos depois, estreou Beautiful Girls, o filme de Ted Demme, em que o protagonista, Timoty Hutton, sente um profundo desejo por uma jovem Portman de apenas 13 anos. Estes papéis que consagraram a atriz israelense também fizeram dela um símbolo sexual quando ela mal tinha atingido a maioridade. Algo que agora, aos 39 anos, a ganhadora de um Oscar por Cisne Negro revelou ter lhe causado um profundo impacto. “Ser sexualizada quando criança me privou da minha própria sexualidade, porque me deu medo”, contou Portman no podcast Armchair Expert, de Dax Shepard.

“Definitivamente eu estava consciente de como me retratavam, principalmente no tipo de jornalismo que existia quando saíam os filmes, como essa figura da Lolita e essas coisas”, prosseguiu, antes de contar que só graças à sua forte personalidade conseguiu se sentir segura. “A única forma pela qual eu podia estar segura era dizendo: ‘Sou conservadora e falo a sério, e você precisa me respeitar, e sou inteligente e não me olhe desse jeito”. “Tanta gente teve essa impressão de mim, de que era muito séria, dissimulada e conservadora, enquanto eu crescia… Cultivei isso conscientemente porque era uma forma de me fazer sentir segura. Se alguém respeitar você, não fará você se sentir como um objeto”, disse Portman, que se define como “uma chata”.

Em 1997, Portman recebeu uma oferta para interpretar a protagonista de Lolita, adaptação cinematográfica dirigida por Adrian Lyne do livro de Vladimir Nabokov, de 1955, que conta a história de um homem de meia-idade que se envolve sexualmente com uma menina de apenas 12 anos. Ela recusou o papel devido ao conteúdo explícito e lascivo. Recusar papéis e negar-se a fazer cenas de beijos, amor ou sexo foram atitudes que se tornaram parte das técnicas de autodefesa de Portman, que preferiu interpretar papéis mais compatíveis com sua idade em Marte Ataca e Star Wars: Episódio 1 – A Ameaça Fantasma. “Como é normal, nessa idade você tem sua própria sexualidade, seu próprio desejo, e quer explorar coisas, e quer ser aberta, mas não se sente segura, especialmente quando há homens mais velhos que estão interessados em você e precisa lhes dizer: ‘Não, não, não, não e não’”, afirmou no programa.

Não é a primeira vez que Portman fala da importância de não sexualizar as meninas por seu trabalho no cinema e televisão. A estrela, que se casou em 2012 com o coreógrafo francês Benjamin Millepied e teve dois filhos com ele, pronunciou-se sobre o tema anteriormente. “Abri emocionada minha primeira carta de um fã, só para ler uma fantasia sobre um estupro que um homem tinha me escrito, e um programa de rádio iniciou uma contagem regressiva para os meus 18 anos, a data em que deixaria de ser ilegal ir para a cama comigo. Os críticos de cinema falavam em suas resenhas sobre meus peitos brotando”, declarou Natalie Portman durante a Marcha das Mulheres de 2018 em Los Angeles.

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