Pandemia de coronavírus

OCDE calcula que cada mês de confinamento tira dois pontos do PIB

O organismo calcula que a Espanha será uma das economias mais afetadas

O secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría.
O secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría.AFP

Conforme a pandemia de coronavírus avança, a OCDE traça um panorama cada vez mais sombrio para a atividade. Segundo seus cálculos, por cada mês de confinamento as economias sofrerão uma perda de aproximadamente dois pontos percentuais do PIB. A conta é a seguinte: o PIB de uma semana é aproximadamente 2% do de todo o ano (52 semanas). Se este cair 25% durante quatro semanas, então estão se esfumando dois pontos do PIB ao mês.

Esse 25% é a queda média que a OCDE calcula. Entretanto, a estimativa varia muito segundo o setor ou país. O turismo, por exemplo, enfrenta quedas de até 70%. O fechamento está afetando atualmente setores que representam em seu conjunto cerca de um terço do PIB das principais economias. Os países poderiam sofrer uma redução superior a 15% na sua produção econômica por causa do isolamento. Para a Espanha, essa estimativa chega a quase 30%, o que a transforma em uma das economias mais prejudicadas, de acordo com as cifras do organismo.

A instituição informa que muitos países entrarão em recessão. “Isto é inevitável, já que precisamos continuar combatendo a pandemia e ao mesmo tempo a fazer todos os esforços para ser capaz de restaurar a normalidade econômica o mais rapidamente possível”, afirma em nota Ángel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico.

Na nota divulgada nesta sexta-feira, o organismo que reúne as economias mais avançadas torna públicas as previsões atualizadas que apresentou no G20 da quinta-feira, já refletindo a dura reclusão provocada pela Covid-19. “Medidas cada vez mais restritivas para conter o vírus conduzirão necessariamente a quedas significativas do PIB em curto prazo para muitas das principais economias”, afirma Gurría. E acrescenta que estes planos para salvar vidas precisam ser intensificados. Entretanto, ao mesmo tempo os Governos deveriam planejar iniciativas mais contundentes e coordenadas para absorver o crescente golpe econômico, salienta. “É preciso lançar uma tábua de salvação às pessoas e ao setor privado, que emergirá em um estado muito frágil quando a crise sanitária tiver passado”, afirma Gurría. Ou, o que é o mesmo, nada de uma recuperação vigorosa com gráfico em V.

O secretário geral da OCDE insiste aos países do G20 para que usem toda a sua munição no apoio às pessoas e às pequenas empresas. Gurría já mencionou antes a necessidade de um plano Marshall global que rebata os efeitos da pandemia. Em sua opinião, os líderes políticos deveriam se centrar em fortalecer os sistemas sanitários e epidemiológicos; mobilizar as alavancas monetárias, fiscais e de reformas estruturais; levantar as restrições ao comércio de material sanitário; dar apoio aos países pobres e às pessoas mais vulneráveis; e ajudar a manter as empresas à tona, com um especial respaldo aos setores mais golpeados, como o turismo.

A OCDE destaca que a repercussão econômica da pandemia dependerá de muitos fatores, incluindo a magnitude e duração dos fechamentos, a queda da demanda em outras partes da economia e a velocidade com que as políticas monetária e fiscal surtam efeito.

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