Exploração espacial de Marte

NASA pilota drone em outro planeta pela primeira vez

‘Ingenuity’ realiza um voo de 40 segundos a até três metros da superfície de Marte

A sombra do 'Ingenuity' em pleno voo captada pelas câmaras do veículo terrestre 'Perseverance'. Em vídeo, o voo do drone. AP / VÍDEO: REUTERS-QUALITY

O drone Ingenuity da NASA se transformou no primeiro aparelho do tipo a voar sobre a superfície de outro planeta. A equipe da missão comemorou na segunda-feira com gritos e aplausos o primeiro voo bem-sucedido do aparelho de menos de dois quilos e propulsionado por uma hélice especialmente projetada para poder funcionar no fino ar marciano, 99% menos denso do que o da Terra.

“O Ingenuity realizou o primeiro voo autopropulsionado em outro planeta”, disse o piloto Håvard Grip do centro de controle do Laboratório de Propulsão a Jato em Pasadena, Califórnia, compartilhado pela NASA em sua conta do Twitter. O trajeto programado deveria durar 40 segundos e atingir uma altura de três metros sobre a superfície, o que a NASA confirmou que aconteceu.

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Esse pequeno drone é parte da maior missão de exploração marciana já lançada e que tem como símbolo o veículo terrestre Perseverance, o maior e mais sofisticado que já pisou em Marte. O Perseverance e seu passageiro Ingenuity aterrissaram com sucesso em 18 de fevereiro.

O Ingenuity é um teste de conceito visando futuras missões em Marte e outros planetas. Foi uma tentativa de comprovar se era possível fazer um voo a motor em outro planeta, o que significa um enorme desafio. “A atmosfera de Marte é a mais difícil para se voar que conhecemos”, diz Jorge Pla-García, cientista do Centro de Astrobiologia, em Madri, e membro da missão. “Para poder se sustentar no ar são necessárias hélices gigantescas. As do Ingenuity têm 1,2 metro de diâmetro e giram muito rápido, a 2.400 revoluções por minuto”. Também deve pesar muito pouco e aqui a gravidade marciana joga a favor, pois é um terço do que a da Terra, de modo que o helicóptero tem pouco mais de 600 gramas, diz Pla-García.

Esses veículos autônomos podem ser a solução para aumentar o escopo de visão das missões robóticas e chegar aos lugares mais escarpados e complicados do planeta, pontos que não podem ser visitados de outra forma. No futuro, drones como esse podem ser um importante apoio às missões tripuladas. Outro dos objetivos da missão é justamente preparar o caminho aos astronautas, que chegarão dentro de alguns anos.

O Ingenuity tem previstos mais quatro voos durante os próximos 31 dias. Primeiro fará outros dois deslocamentos na vertical, um até cinco metros de altura e depois até 50. Nos dois seguintes começará a se deslocar na horizontal até um máximo de meio quilômetro e aterrissará em outros locais além de seu recém-inaugurado aeródromo: um quadrado de 10 por 10 metros que a NASA batizou como aeródromo Irmãos Wright em homenagem aos pioneiros da aviação norte-americana, como anunciou na segunda-feira o diretor da NASA, Thomas Zurbuchen.

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