Seleccione Edição
Login

Cacique Turu Arara: “A nossa briga é para que os brancos não desmatem tudo”

21 fotos

Quatro famílias se instalaram na fronteira do território indígena com a rodovia Transamazônica para tentar conter a extração ilegal de madeira. O EL PAÍS visitou a recém criada aldeia e a terra devastada

  • Turu Arara é um indígena da etnia Arara, conhecida por sua bravura. Suas terras estão no Estado brasileiro do Pará, na Bacia do Rio Xingu, e abrangem mais de 274.000 hectares da Amazônia e quatro municípios. Foram demarcadas pelo Governo Federal em 1991, mas até hoje invasores colocam em xeque a sobrevivência da selva e dos próprios índios que nela habitam.
    1Turu Arara é um indígena da etnia Arara, conhecida por sua bravura. Suas terras estão no Estado brasileiro do Pará, na Bacia do Rio Xingu, e abrangem mais de 274.000 hectares da Amazônia e quatro municípios. Foram demarcadas pelo Governo Federal em 1991, mas até hoje invasores colocam em xeque a sobrevivência da selva e dos próprios índios que nela habitam.
  • Lideradas pelo cacique Turu, quatro famílias Arara deixaram, em fevereiro de 2018, a aldeia Laranjal, a maior das cinco instaladas no interior da floresta, para se estabelecerem na recém criada aldeia Arado.
    2Lideradas pelo cacique Turu, quatro famílias Arara deixaram, em fevereiro de 2018, a aldeia Laranjal, a maior das cinco instaladas no interior da floresta, para se estabelecerem na recém criada aldeia Arado.
  • A recém criada aldeia Arado está na fronteira do território indígena com a rodovia Transamazônica, uma imensa rodovia transversal que começou a ser construída no final dos anos 60, durante a ditadura militar, para o unir o Brasil de este a oeste e colonizar a Amazônia. Enormes trechos, como os 35 quilômetros entre os municípios de Uruará e Medicilândia que fazem fronteira com as terras dos Arara, permanecem com terra batida e esburacados.
    3A recém criada aldeia Arado está na fronteira do território indígena com a rodovia Transamazônica, uma imensa rodovia transversal que começou a ser construída no final dos anos 60, durante a ditadura militar, para o unir o Brasil de este a oeste e colonizar a Amazônia. Enormes trechos, como os 35 quilômetros entre os municípios de Uruará e Medicilândia que fazem fronteira com as terras dos Arara, permanecem com terra batida e esburacados.
  • Quando as quatro famílias decidiram se mudar para a aldeia Arado, tinham um único objetivo: tentar coibir, até agora sem armas, apenas com sua presença, a ação de invasores que roubam madeiras valiosas. Quase todas as noites saem com caminhões carregados com Jatobá, Ipê, Massaranduba ou Angelim.
    4Quando as quatro famílias decidiram se mudar para a aldeia Arado, tinham um único objetivo: tentar coibir, até agora sem armas, apenas com sua presença, a ação de invasores que roubam madeiras valiosas. Quase todas as noites saem com caminhões carregados com Jatobá, Ipê, Massaranduba ou Angelim.
  • Da Transamazônica é possível ver dezenas de ramais na mata por onde entram e saem os caminhões e máquinas que, pouco a pouco, vão carcomendo o interior da floresta. Por fora a mata parece intacta. Por dentro, uma devassa. Há pedaços de tronco e árvores caídas por todas as partes. Marcas de pneu e pacotes de cigarro indicam que a presença de "brancos" na floresta é recente.
    5Da Transamazônica é possível ver dezenas de ramais na mata por onde entram e saem os caminhões e máquinas que, pouco a pouco, vão carcomendo o interior da floresta. Por fora a mata parece intacta. Por dentro, uma devassa. Há pedaços de tronco e árvores caídas por todas as partes. Marcas de pneu e pacotes de cigarro indicam que a presença de "brancos" na floresta é recente.
  • A preservação da terra dos Arara é importante para garantir o futuro das novas gerações de indígenas desta etnia. Atualmente mais de 300 índios vivem nas terras demarcadas pelo Governo Federal. "Nós sobrevivemos da mata, da caça de macacos, jabutis... A nossa briga é para que os brancos não desmatem tudo", explica o cacique Turu.
    6A preservação da terra dos Arara é importante para garantir o futuro das novas gerações de indígenas desta etnia. Atualmente mais de 300 índios vivem nas terras demarcadas pelo Governo Federal. "Nós sobrevivemos da mata, da caça de macacos, jabutis... A nossa briga é para que os brancos não desmatem tudo", explica o cacique Turu.
  • "Já fizemos denúncias para as autoridades, mas até agora não tomaram providências", acusa Turu, de 37 anos. "É triste", repete a cada minuto.
    7"Já fizemos denúncias para as autoridades, mas até agora não tomaram providências", acusa Turu, de 37 anos. "É triste", repete a cada minuto.
  • Mobidi Arara é o pai do cacique Turu e o ancião da aldeia. Tem 85 anos e só fala o idioma próprio dessa etnia, o Karib.
    8Mobidi Arara é o pai do cacique Turu e o ancião da aldeia. Tem 85 anos e só fala o idioma próprio dessa etnia, o Karib.
  • Já as crianças Arara da aldeia falam português, além do Karib, e frequentam a escola pública da região.
    9Já as crianças Arara da aldeia falam português, além do Karib, e frequentam a escola pública da região.
  • A tensão aumentou desde a eleição de Jair Bolsonaro. O atual presidente brasileiro vem dizendo desde a época da campanha eleitoral ser contra a demarcação de terras indígenas e promete liberar atividades econômicas, sobretudo mineração, nos territórios protegidos pelo Estado brasileiro.
    10A tensão aumentou desde a eleição de Jair Bolsonaro. O atual presidente brasileiro vem dizendo desde a época da campanha eleitoral ser contra a demarcação de terras indígenas e promete liberar atividades econômicas, sobretudo mineração, nos territórios protegidos pelo Estado brasileiro.
  • De acordo com a Rede Xingu +, formada por aldeias e comunidades dessa região do rio Xingu, somente no mês de julho 5.895 hectares de terras indígenas foram desmatados, um aumento de 213% com relação ao junho e 436% a mais que em julho de 2018. "Quando o presidente ganhou, entraram nas terras e fizeram uma bagunça", recorda Turu, que na foto aparece ao lado de sua esposa, Elaine Xipaya.
    11De acordo com a Rede Xingu +, formada por aldeias e comunidades dessa região do rio Xingu, somente no mês de julho 5.895 hectares de terras indígenas foram desmatados, um aumento de 213% com relação ao junho e 436% a mais que em julho de 2018. "Quando o presidente ganhou, entraram nas terras e fizeram uma bagunça", recorda Turu, que na foto aparece ao lado de sua esposa, Elaine Xipaya.
  • Uma mulher da aldeia Arado utiliza folhas de uma palmeira babaçu para fazer a cobertura de sua casa. Consegue mantê-la seca nos dias de chuva e fresca nos dias de muito calor, uma constante nessa região da Amazônia. Se bem feita, essa cobertura pode resistir até dois anos.
    12Uma mulher da aldeia Arado utiliza folhas de uma palmeira babaçu para fazer a cobertura de sua casa. Consegue mantê-la seca nos dias de chuva e fresca nos dias de muito calor, uma constante nessa região da Amazônia. Se bem feita, essa cobertura pode resistir até dois anos.
  • Elaine Xipaya, esposa de Turu, segura seu filho, na aldeia Arado.
    13Elaine Xipaya, esposa de Turu, segura seu filho, na aldeia Arado.
  • Katiely Raissa Arara, uma das meninas da aldeia Arado.
    14Katiely Raissa Arara, uma das meninas da aldeia Arado.
  • Tibegoni Arara, outra das crianças da aldeia Arado.
    15Tibegoni Arara, outra das crianças da aldeia Arado.
  • Uma criança da aldeia Arara.
    16Uma criança da aldeia Arara.
  • Salantiel Arara, um dos meninos da aldeia Arado.
    17Salantiel Arara, um dos meninos da aldeia Arado.
  • Maisa Arara, uma das meninas da aldeia Arado.
    18Maisa Arara, uma das meninas da aldeia Arado.
  • Um bebê Arara, na aldeia Arado.
    19Um bebê Arara, na aldeia Arado.
  • Duas das crianças Arara que residem na aldeia Arado, no Pará.
    20Duas das crianças Arara que residem na aldeia Arado, no Pará.
  • Crianças Arara brincam no poço de água perto da rodovia Transamazônica.
    21Crianças Arara brincam no poço de água perto da rodovia Transamazônica.