Música

Manu Chao relança ‘Clandestino’ duas décadas depois

Disco inclui três faixas inéditas, incluindo uma versão no ritmo calipso da canção que marcou toda uma geração e vendeu três milhões de cópias

Manu Chao em um show.
Manu Chao em um show.CARLES RIBAS

Há duas décadas, Manu Chao marcou o ritmo de toda uma geração com Clandestino, o álbum que, no final de 1998, lançou sua carreira solo após o fim do grupo Mano Negra. A canção que dava título ao disco se transformou em um hino que soou com insistência. Algo que promete acontecer outra vez. Quase 21 anos mais tarde, Manu Chao relança Clandestino, com o bônus de três faixas inéditas, incluindo uma versão da célebre faixa-título numa parceria com a cantora Calypso Rose, de Trinidad e Tobago.

A notícia, divulgada nesta sexta-feira pela Agência France Presse, não surpreende os fãs, já que nas últimas semanas ele vinha anunciando em suas redes sociais o iminente relançamento do disco, além de já ter divulgado clipes das novas faixas. Elas incluem Bloody Border, em que retoma o tema que já inspirou o primeiro álbum, a migração, e que continua raivosamente atual tanto na Europa como na fronteira entre o México e os Estados Unidos, com a nova política mais inflexível de Donald Trump, denunciada num clipe que salienta em inglês que “ninguém é ilegal”.

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Clandestino rejuvenesce na aparência e no conteúdo, e não só graças aos novos ritmos trazidos por Calypso Rose. A cantora de 79 anos, rainha do ritmo homônimo nascido na multicultural nação insular de Trinidad e Tobago, acrescenta letra à canção para fazer referência à situação dos migrantes que hoje em dia atravessam o Mediterrâneo a partir da costa líbia para tentar chegar à Europa, “sem lar aonde regressar, nem ninguém esperando por mim”, canta.

O terceiro inédito, Roadies Rules, surge das sessões de Clandestino, um disco que há duas décadas conseguiu vender mais de três milhões de cópias. A nova versão é, segundo a gravadora Because, que lançou o álbum, um “blues autobiográfico sob uma pulsão suicida em uma estrada rumo a lugar nenhum”.