Dia das Mães

Como viver a maternidade à sua maneira e sem culpas

É preciso aproveitar a data para reivindicar o direito de ser mãe com liberdade e igualdade

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A campanha da loja de departamentos El Corte Inglés para o último domingo, 5 de maio, quando se celebrou o Dia das Mães na Espanha, não deixou ninguém indiferente. Com o slogan “100% mãe”, e dizeres em letras menores acrescentando “97% entregue, 3% de queixas, 0% egoísmo”, a iniciativa gerou polêmica nas redes. Em um momento social no qual o empoderamento feminino — e consequentemente o da maternidade — ganha cada vez mais força, e no qual se pretende deixar para trás a sociedade patriarcal, muitos viram nessa publicidade um passo atrás, além de um tom rançoso. "À campanha 100% mãe eu acrescentaria: ‘e 100% profissional, e 100% amiga, e 100% companheira, e...’. É importante salientar que não somos só o que fazemos, mas também nossos papéis. Somos tudo isso e muito mais. Como sociedade, considero que devemos deixar que cada mulher decida como quer viver sua vida, que ingredientes quer nela, e aceitar todas as possibilidades como valiosas. Como mulher, precisamos nos dar a liberdade para fazer essa escolha com confiança e segurança.”

Estas palavras são de Mónica García, coach de desenvolvimento pessoal, formadora, conferencista e diretora do centro El Factor Humano, em Burgos (norte da Espanha). Para a especialista, “existe um novo modelo de maternidade atualizado e livre de condicionamentos, que desterra mitos e condições expostas para ser experimentada a partir da liberdade e da igualdade”. A sociedade não facilita que as mulheres possam alcançar este objetivo: um mercado profissional hostil, que dificulta, e muito, a conciliação de horários, e um patriarcado muito enraizado que ainda persiste. Assim, este Dia das Mães é uma jornada para a reivindicação, em que devemos refletir sobre "o papel atual da mulher como progenitora e a necessidade de renová-lo, para benefício dela e de todo seu entorno", prossegue García.

Uma mulher que se torna mãe, "muito a seu pesar, não é tão livre quanto gostaria de ser, já que muitas vivem condicionadas pelo que a sociedade (e inclusive sua própria família) espera dela como mãe”, afirma a especialista. “Achamos que podemos escolher que maternidade queremos viver, mas isso não é totalmente correto. Muitas mulheres vivem sua maternidade como os outros esperam delas, não como elas realmente querem”, conclui.

Como as mães podem se liberar dos papéis impostos?

Para García, há cinco pontos fundamentais:

  • O papel de mãe é um papel a mais: “Um papel muito importante, sim, mas um papel a mais. Se você tiver outros, então terá que escolher qual mantém e qual deixa de fora. Delegue funções que considera serem suas no seu casamento ou com outras pessoas”. O perigo aqui é querer fazer tudo, ser uma supermulher, valorizar unicamente ou principalmente o esforço e o sacrifício. Tente, pelo contrário, valorizar também o prazer, a calma, a alegria...
  • Delimite zonas e ative a atenção plena: quando você for mãe, ponha-se no papel de mãe; quando for profissional, coloque-se no papel de profissional; quando for amiga, no papel de amiga… Tente estar realmente com quem está. "Recorde que 15 minutos de atenção plena têm o poder de fortalecer o vínculo com os outros, entre eles seus filhos ou seus próximos, enquanto 60 minutos de multitasking só servem para enfraquecê-la e deixar todos frustrados ou insatisfeitos com o tempo passado juntos", afirma García.
  • A dor e as dificuldades são parte de seu desenvolvimento como mãe: o amor pelos nossos filhos, às vezes, se transforma em um medo (natural) de que possa lhes acontecer algo de ruim ou que sofram. “O perigo aqui não é tanto que não vejamos nossos filhos como capazes de superar a dor ou as situações adversas, o que às vezes ocorre, e sim algo pior: a inabilidade de administrar o sofrimento, que aflora quando vemos nossos filhos passarem maus bocados”. Para resolver isto, você pode "rever sua própria vida e avaliar como a presença de dificuldades serviu para que você crescesse ou para chegar até onde estamos. E confiar em que seu entorno encontrará a forma de superar as adversidades, que são seres humanos completos, com recursos e criativos. Assim como você, embora num momento diferente no processo de desenvolvimento".
  • Não há nada que você precise “fazer direito”. Não somos perfeitas: erramos, e tudo bem. Faça do erro uma aprendizagem, e não uma tortura.
  • Autoavaliação: o truque é dar mais importância à mãe e mulher que você quer ser do que à mãe e a mulher que esperam que você seja. E "lembre-se de que assim como seu filho está aprendendo a viver, você está aprendendo a ser mãe", conclui García.

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