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“Os rótulos dos alimentos são muito técnicos, as pessoas não entendem”

A pesquisadora do Idec Ana Paula Bortoletto conversa com o EL PAÍS sobre a mudança nas embalagens dos produtos alimentícios que está em discussão na Anvisa

A nutricionista Ana Paula Bortoletto, pesquisadora em alimentos no Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), conversou com EL PAÍS nesta terça-feira sobre a mudança nos rótulos dos produtos que a indústria alimentícia terá que fazer por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para ela, o consumidor tem interesse em saber sobre os nutrientes que está ingerindo, mas a tabela nutricional apresentada atualmente é confusa. "As pessoas, apesar de quererem acessar as informações, elas não entendem os rótulos. Porque é uma informação muito técnica, exige que você faça conta para comparar um produto com o outro [...] Apesar de a informação estar lá, ela não é útil para o consumidor", explica.

Em discussão há quatro anos, a mudança tem o objetivo de deixar mais claro nos rótulos o teor dos nutrientes que podem contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. O tema divide opiniões. O Idec defende um modelo de rótulo que consiste em triângulos pretos com bordas brancas que fiquem destacados na frente das embalagens, em oposição ao modelo de 'semáforo' defendido pela indústria, que destacaria em vermelho, amarelo ou verde o teor de açúcar, gordura ou sódio do produto. "A proposta do semáforo vai continuar trazendo informações mescladas, positivas e negativas, que não vão ajudar o consumidor a tomar uma decisão", avalia Ana Paula. Para entender melhor essa polêmica, acompanhe a entrevista que foi ao ar ao vivo, às 17h, no Facebook do EL PAÍS.

Mais informações sobre a entrevistada: Ana Paula Bortoletto possui graduação em Nutrição pela USP, mestrado e doutorado em Nutrição em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Atuou como consultora na Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome entre 2008-2009