Caso João de Deus

João de Deus é considerado foragido por Ministério Público de Goiás

Prisão preventiva do médium, acusado por mais de 300 mulheres de crimes sexuais, foi decretada na sexta. Mandado de prisão teve sigilo quebrado neste sábado

João de Deus esteve na Casa onde realiza atendimento espiritual na última quarta-feira, 12.
João de Deus esteve na Casa onde realiza atendimento espiritual na última quarta-feira, 12.Marcelo Camargo (AP)

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O médium João Teixeira Faria, de 76 anos, conhecido como João de Deus já é considerado foragido pelo Ministério Público de Goiás. Acusado de crimes sexuais por mais de 300 mulheres, o médium teve sua prisão decretada na sexta-feira pela Justiça de Goiás e o prazo para que ele se entregasse encerrou-se neste sábado, às 14h, de acordo com a promotoria.

Até a sexta-feira, 335 mensagens e contatos telefônicos de mulheres que se apresentaram como vítimas do médium foram recebidos pelo Ministério Público de Goiás, responsável pelo caso, já que João de Deus atendia na Casa Dom Inácio de Loyola, na cidade de Abadiânia (GO). As acusações, que surgiram quando 10 mulheres revelaram os abusos durante o programa Conversa com Bial, da TV Globo, saíram de vários Estados e de ao menos seis países do exterior, como Estados Unidos e Suíça.

Até hoje, a coreógrafa holandesa Zahira Leeneke foi a única alegada vítima a se identificar. Ela disse que foi se tratar com João de Deus há quatro anos, após receber informações sobre o médium através da internet e da entrevista que ele concedeu à apresentadora americana Oprah Winfrey. “Sabemos que muitas vezes as vítimas que sofrem esse tipo de violência demoram um tempo até denunciar”, comenta a procuradora Patrícia Otoni, coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) de Direitos Humanos do MP de Goiás, e que faz parte da força-tarefa de investigação dos abusos. Além da entrevista com a famosa apresentadora, o médium também é reconhecido no mundo por tratar celebridades e políticos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a coreógrafa, João de Deus a atendeu pessoalmente em uma das sessões no local onde trabalhava, quando a levou "violentamente" para um banheiro e a estuprou. Outros relatos de mulheres contam que elas compareceram sozinhas à Casa Dom Inácio de Loyola e, depois de serem recomendadas a se submeter a um tratamento individual, ficavam no fim da fila à espera do médium. Quando chegava a vez, segundo elas, João de Deus as levava para um quarto escuro, onde tocava seus seios ou pedia para que tocassem seu pênis, sob a desculpa isso fazer parte de um tratamento de limpeza espiritual.

A assessoria de imprensa do médium chamou as denúncias de "lamentáveis" e "fantasiosas", além de alegar que "nenhuma prova" foi fornecida. João de Deus compareceu por poucos minutos ao local onde faz trabalhos espirituais na manhã da última quarta-feira, quando afirmou que era inocente e disse querer "cumprir a lei brasileira". Para facilitar a coleta das denúncias, o Ministério Público de Goiás criou o email denuncias@mpgo.mp.br, por onde o contato deve ser feito. Os promotores destacam que o respeito ao sigilo dos depoimentos e das vítimas será respeitado.

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