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Urnas selam derrocada histórica dos tucanos e a queda livre de Marina Silva

Candidatos mais próximos do centro político, com exceção de Ciro Gomes, sofreram uma perda importante nas intenções de voto e não conseguiram unificar suas candidaturas

Para as nove horas da manhã de 25 de setembro estava convocada, em uma sala do Instituto dos Advogados de São Paulo, uma reunião para assumir o controle das eleições presidenciais brasileiras. Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça e defensor do impeachment de Dilma Rousseff, tentava reunir quatro dos 13 candidatos na corrida para as eleições deste domingo, os de tendências centristas e resultados mais medíocres nas pesquisas. O objetivo: convencê-los a se unirem. Em uma hipotética candidatura de consenso somariam intenções de voto perto de 17%, uma força que, separadamente, não teriam para enfrentar a extrema direita  de Jair Bolsonaro nem o a força à esquerda do petismo. Dois dos candidatos, justamente aqueles que tinham os resultados mais lamentáveis, Marina Silva (4% das intenções de voto e que terminaria a apuração rondando o 1% dos apurados, um contraste com seus 20 milhões de votos em 2014) e Henrique Meirelles se recusaram a participar. Essa reunião nunca foi realizada.

Urnas selam derrocada histórica dos tucanos e a queda livre de Marina Silva
REUTERS

Na última terça-feira antes do primeiro turno, a ideia voltaria a ganhar força, num último suspiro. Desta vez, foi um manifesto assinado por cerca de 13 mil pessoas em redes sociais, no qual se suplicava aos candidatos com posições mais moderadas que unificassem sua candidatura. Bolsonaro tinha disparado nas pesquisas, o primeiro turno se aproximava e eles manifestavam sua incredulidade. "Não podemos nos arriscar a que o Brasil seja refém de Governos que ampliarão ainda mais a polarização do país", diz o texto. Diferentemente da proposta anterior, essa combinação incluía Ciro Gomes, de centro-esquerda e terceiro nas pesquisas, com 11% das intenções de voto. A ideia era que ele assumisse o comando da candidatura conjunta. Mais uma vez, a tentativa não deu em nada. Desta vez foi o candidato Geraldo Alckmin (PSDB, centro-direita) quem recusou: "Manifesto sem autor, sem sentido e sem a menor possibilidade de que aconteça", resmungou. Alckmin, neste domingo, amargaria o pior desempenho para seu partido em 24 anos, com apenas 4,81% dos votos apurados. Desde 1994, os tucanos não ficavam fora do segundo turno presidencial.

Ambas as histórias e as cifras obtidas por Marina e Alckmin reforçam a mesma realidade: a dolorosa fraqueza do centro político nestas eleições brasileiras – não o centro exatamente ideológico, mas o meio espremido pela polarização entre a extrema direita do PSL e o esquerdismo do PT turbinado pela força política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pesquisa após pesquisa, guinada após guinada, durante nove furiosas semanas de campanha só houve uma constante: quanto mais diminuía o número de indecisos, menos votos tinham os candidatos que afirmavam representar as ideologias mais moderadas. A ponto de que o único meio que tinham para se tornar relevantes seria com uma coalizão de candidaturas tão impossível que teve de fracassar várias vezes antes que a ideia fosse abandonada.

"Parte do descontentamento com o sistema político se materializou no ódio ao Partido dos Trabalhadores. E o antídoto para isso tem sido o crescimento do protofascismo [por Bolsonaro]. Esse sentimento não se concretizou em um candidato equilibrado, mas se fixou nos extremos", afirma Pedro Ivo, porta-voz do partido Rede Sustentabilidade, de Marina Silva.

Entre tantos nomes que ficaram pelo caminho se destaca o do sobrevivente Ciro Gomes. O candidato de centro-esquerda começou como o terceiro, com 11% dos votos, e com esse número permaneceu. Conseguiu conquistar um voto de opinião e nos últimos dias cresceria uma pequena onda nas redes a seu favor entre os que confiavam que ele poderia ser uma alternativa para sair da polarização. Não se moveu, mas tampouco saiu humilhado com seus quase 13% dos votos. Torna-se um provável aliado importante de Fernando Haddad contra Bolsonaro no segundo turno.

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