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Theresa May, junto aos líderes dos países da UE.
Theresa May, junto aos líderes dos países da UE. REUTERS
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A mulher ainda é minoria nas grandes reuniões de cúpula

O encontro de líderes europeus realizado neste mês em Salzburgo não foi o único com pouca presença de mulheres. Na maior parte dos foros e organizações supranacionais, a presença feminina é nula ou escassa. A galeria a seguir mostra várias fotos coletivas de encontros internacionais recentes nos quais a participação masculina é esmagadoramente superior. Da União Europeia e Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) até a União Africana, passando pela pós-soviética Comunidade de Estados Independentes, a mulher é a grande ausente

  • Quando ocorrer o Brexit, Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, deixará de participar das reuniões do Conselho da União Europeia, uma das instituições de Governo comunitárias. A presença feminina nestes encontros se reduzirá então apenas à chanceler (chefe de Governo) alemã, Angela Merkel, e à presidenta lituana, Dalia Grybauskaite. A atual relação de gênero, uma mulher para cada 10 homens, passará a ser ainda menos igualitária, com uma mulher para cada 15 homens. Além dos líderes dos 28 países da UE, aparecem na foto o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o secretário-geral desta instituição, Jeppe Tranholm-Mikkelsen, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.
    1União Europeia masculina Quando ocorrer o Brexit, Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, deixará de participar das reuniões do Conselho da União Europeia, uma das instituições de Governo comunitárias. A presença feminina nestes encontros se reduzirá então apenas à chanceler (chefe de Governo) alemã, Angela Merkel, e à presidenta lituana, Dalia Grybauskaite. A atual relação de gênero, uma mulher para cada 10 homens, passará a ser ainda menos igualitária, com uma mulher para cada 15 homens. Além dos líderes dos 28 países da UE, aparecem na foto o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o secretário-geral desta instituição, Jeppe Tranholm-Mikkelsen, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. AFP
  • A chefa executiva de Hong Kong, Carrie Lam, a ex-presidenta chilena Michelle Bachelet e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinta Ardern, foram as únicas mulheres que participaram da reunião de cúpula anual de chefes de Estado e Governo do Foro de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) realizada em novembro no Vietnã. A próxima edição deste importante encontro regional será em novembro na Papua-Nova Guiné e o número de mulheres será ainda menor. O conservador Sebastián Piñera sucedeu a Bachelet na presidência do Chile e nenhum dos países que participam do foro e realizaram eleições neste ano escolheu uma mulher. Salvo alguma surpresa, só Lam e Ardern estarão na próxima foto coletiva da APEC.
    2Muitos telhados de vidro no Pacífico A chefa executiva de Hong Kong, Carrie Lam, a ex-presidenta chilena Michelle Bachelet e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinta Ardern, foram as únicas mulheres que participaram da reunião de cúpula anual de chefes de Estado e Governo do Foro de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) realizada em novembro no Vietnã. A próxima edição deste importante encontro regional será em novembro na Papua-Nova Guiné e o número de mulheres será ainda menor. O conservador Sebastián Piñera sucedeu a Bachelet na presidência do Chile e nenhum dos países que participam do foro e realizaram eleições neste ano escolheu uma mulher. Salvo alguma surpresa, só Lam e Ardern estarão na próxima foto coletiva da APEC. AP
  • Jamais uma mulher liderou algum dos 22 países do Oriente Médio e do Magreb que integram a Liga Árabe. Privadas das presidências, nos melhores casos sua participação nos Executivos se reduz ao comando de alguns poucos ministérios. Os Emirados Árabes se gabam de ser o país árabe que conta com mais mulheres em seu Gabinete: 9 de um total de 31. No Marrocos e na Tunísia, as mulheres estão a cargo de oito e de seis pastas, respectivamente − uma proporção ainda baixa, porque nos Governos destes países há cerca de 40 ministérios.
    3Sem mulheres nas presidências árabes Jamais uma mulher liderou algum dos 22 países do Oriente Médio e do Magreb que integram a Liga Árabe. Privadas das presidências, nos melhores casos sua participação nos Executivos se reduz ao comando de alguns poucos ministérios. Os Emirados Árabes se gabam de ser o país árabe que conta com mais mulheres em seu Gabinete: 9 de um total de 31. No Marrocos e na Tunísia, as mulheres estão a cargo de oito e de seis pastas, respectivamente − uma proporção ainda baixa, porque nos Governos destes países há cerca de 40 ministérios. Getty
  • Nove mulheres posam em junho na foto coletiva do último encontro de ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte. A atual titular da Defesa espanhola, Margarita Robles, não está na imagem porque havia assumido o cargo poucas horas antes. A OTAN conta atualmente com uma proporção de aproximadamente uma mulher ministra da Defesa para cada três homens. Há 15 anos, em pleno debate sobre o papel da organização na guerra do Iraque, houve reuniões das quais participou uma só mulher ministra.
    4Uma ministra da Defesa para cada três homens Nove mulheres posam em junho na foto coletiva do último encontro de ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte. A atual titular da Defesa espanhola, Margarita Robles, não está na imagem porque havia assumido o cargo poucas horas antes. A OTAN conta atualmente com uma proporção de aproximadamente uma mulher ministra da Defesa para cada três homens. Há 15 anos, em pleno debate sobre o papel da organização na guerra do Iraque, houve reuniões das quais participou uma só mulher ministra. Getty
  • Desde 2015, a Organização Internacional da Francofonia, que reúne os países nos quais se fala francês, é presidida por uma mulher, a canadense Michaëlle Jean (na primeira fila, a sétima a partir da esquerda). Nascida no Haiti, Jean fugiu de seu país de origem, dirigido pelo temido François Duvalier, o Papa Doc, em 1968. Juntamente com sua família, ela se estabeleceu no Canadá, onde estudou jornalismo, profissão que exerceu até 2005, quando foi designada governadora-geral do Canadá, um papel honorífico, mas de grande capacidade de influência, semelhante ao desempenhado pelos chefes de Estado que não têm atribuições executivas. A imagem revela que, apesar de terem uma mulher na liderança, os Estados que participam desta organização (mais de 80) continuam sendo dirigidos majoritariamente por homens.
    5De imigrante haitiana no Canadá a líder da Francofonia Desde 2015, a Organização Internacional da Francofonia, que reúne os países nos quais se fala francês, é presidida por uma mulher, a canadense Michaëlle Jean (na primeira fila, a sétima a partir da esquerda). Nascida no Haiti, Jean fugiu de seu país de origem, dirigido pelo temido François Duvalier, o Papa Doc, em 1968. Juntamente com sua família, ela se estabeleceu no Canadá, onde estudou jornalismo, profissão que exerceu até 2005, quando foi designada governadora-geral do Canadá, um papel honorífico, mas de grande capacidade de influência, semelhante ao desempenhado pelos chefes de Estado que não têm atribuições executivas. A imagem revela que, apesar de terem uma mulher na liderança, os Estados que participam desta organização (mais de 80) continuam sendo dirigidos majoritariamente por homens. Getty
  • A imagem corresponde a um encontro de ministros de Relações Exteriores realizado em Cingapura em agosto, mas também poderia ser um bom reflexo da quantidade de mulheres que foram chefas de Estado ou Governo nos países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático. A mulher que posa na foto coletiva rodeada de homens é Retno Lestari, ministra de Relações Exteriores das Filipinas, um dos países desta organização supranacional que teve presidentas ou primeiras-ministras em algum momento de sua história. Tailândia, Indonésia e Myanmar (antiga Birmânia) também alcançaram esse marco. Precisamente neste último país, a primeira-ministra e líder de fato, Aaun Sin Suu Kyi, está envolvida há meses em polêmicas como resultado do assassinato de membros da comunidade muçulmana minoritária rohingya por oficiais do Exército. Suu Kyi, ganhadora do Nobel da Paz, é acusada de omissão em relação ao que a ONU define como “tentativa de genocídio”.
    6Uma única ministra de Defesa A imagem corresponde a um encontro de ministros de Relações Exteriores realizado em Cingapura em agosto, mas também poderia ser um bom reflexo da quantidade de mulheres que foram chefas de Estado ou Governo nos países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático. A mulher que posa na foto coletiva rodeada de homens é Retno Lestari, ministra de Relações Exteriores das Filipinas, um dos países desta organização supranacional que teve presidentas ou primeiras-ministras em algum momento de sua história. Tailândia, Indonésia e Myanmar (antiga Birmânia) também alcançaram esse marco. Precisamente neste último país, a primeira-ministra e líder de fato, Aaun Sin Suu Kyi, está envolvida há meses em polêmicas como resultado do assassinato de membros da comunidade muçulmana minoritária rohingya por oficiais do Exército. Suu Kyi, ganhadora do Nobel da Paz, é acusada de omissão em relação ao que a ONU define como “tentativa de genocídio”. Getty
  • O Politburo da antiga União Soviética era formado por um reduzido grupo de dirigentes comunistas que, apesar de não passarem de 20, estavam encarregados de administrar o maior país do mundo. Para esse trabalho, ele raramente contava com mulheres. Uma delas foi Yekaterina Furtseva, que utilizou o jornal estatal Pravda para pedir, por meio de duros ataques, que fossem censurados os filmes dos quais participava o ator e diretor Boris Babochkin, que havia retratado de forma satírica a ideologia comunista. Depois da desintegração do país em mais de uma dezena de repúblicas no início dos anos 1990, a maior parte destes incipientes Estados formou a Comunidade de Estados Independentes, uma espécie de União Europeia do Leste. A foto dos principais líderes desses países, feita em uma reunião de cúpula no Tajiquistão em 2016, mostra que as mulheres não são agora mais numerosas do que nos Politburos soviéticos. Só o Quirguistão, que teve uma presidenta, e a Moldávia, com duas primeiras-ministras, conseguiram romper os telhados de aço da antiga União Soviética.
    7Telhados de aço O Politburo da antiga União Soviética era formado por um reduzido grupo de dirigentes comunistas que, apesar de não passarem de 20, estavam encarregados de administrar o maior país do mundo. Para esse trabalho, ele raramente contava com mulheres. Uma delas foi Yekaterina Furtseva, que utilizou o jornal estatal Pravda para pedir, por meio de duros ataques, que fossem censurados os filmes dos quais participava o ator e diretor Boris Babochkin, que havia retratado de forma satírica a ideologia comunista. Depois da desintegração do país em mais de uma dezena de repúblicas no início dos anos 1990, a maior parte destes incipientes Estados formou a Comunidade de Estados Independentes, uma espécie de União Europeia do Leste. A foto dos principais líderes desses países, feita em uma reunião de cúpula no Tajiquistão em 2016, mostra que as mulheres não são agora mais numerosas do que nos Politburos soviéticos. Só o Quirguistão, que teve uma presidenta, e a Moldávia, com duas primeiras-ministras, conseguiram romper os telhados de aço da antiga União Soviética. Getty
  • O presidente chinês, XI Jinping, posa para a foto coletiva da última edição do Foro de Cooperação China-África (Focac), um encontro que tradicionalmente é realizado a cada três anos e no qual a China e os distintos Estado africanos estreitam vínculos de amizade, como explica a própria página da organização na Internet. Tanto a China como o continente africano são territórios que tradicionalmente barram a ascensão das mulheres ao topo do poder político. Burundi e Libéria são os únicos países da África que já tiveram uma mulher presidenta. Sylvie Kinigi chegou à chefia de Estado do Burundi em 1993, depois do assassinato de Melchor Ndadaye, o primeiro presidente hutu da história do país, por rebeldes tutsis. Kinigi fazia parte da minoria tutsi no Executivo de Ndadaye. Apesar disso, ela conseguiu organizar um efêmero Gabinete que governou provisoriamente durante alguns meses, antes de passar o bastão para um novo presidente hutu. Na Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf se tornou em 2006 a primeira mulher eleita presidenta da África. Governou até janeiro e ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2011.
    8Pioneiras da África O presidente chinês, XI Jinping, posa para a foto coletiva da última edição do Foro de Cooperação China-África (Focac), um encontro que tradicionalmente é realizado a cada três anos e no qual a China e os distintos Estado africanos estreitam vínculos de amizade, como explica a própria página da organização na Internet. Tanto a China como o continente africano são territórios que tradicionalmente barram a ascensão das mulheres ao topo do poder político. Burundi e Libéria são os únicos países da África que já tiveram uma mulher presidenta. Sylvie Kinigi chegou à chefia de Estado do Burundi em 1993, depois do assassinato de Melchor Ndadaye, o primeiro presidente hutu da história do país, por rebeldes tutsis. Kinigi fazia parte da minoria tutsi no Executivo de Ndadaye. Apesar disso, ela conseguiu organizar um efêmero Gabinete que governou provisoriamente durante alguns meses, antes de passar o bastão para um novo presidente hutu. Na Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf se tornou em 2006 a primeira mulher eleita presidenta da África. Governou até janeiro e ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2011. REUTERS
  • Esta imagem pode sugerir que as mulheres abriram caminho para as presidências da América Latina. Nada mais longe da realidade. Embora seis mulheres apareçam na foto coletiva da última reunião de cúpula Ibero-americana, realizada em outubro de 2016 em Cartagena de Índias (Colômbia), só Michelle Bachelet ocupava então a presidência de um dos países participantes. As demais estavam representando países que não tinham enviado seu chefe de Estado para o encontro. Dos 25 membros permanentes da Organização dos Estados Ibero-americanos, 17 jamais foram liderados por uma mulher, entre eles a Espanha. No total, a América Latina teve nove presidentas ao longo de sua história. A primeira foi María Estela Martínez de Perón, viúva de Juan Domingo Perón. Conhecida como Isabelita, ela assumiu o poder na Argentina quando Perón morreu (1974) e permaneceu até o golpe de Rafael Videla (1976). O país austral é o único que foi dirigido por duas mulheres. A segunda presidenta argentina foi Cristina Fernández de Kirchner, que chegou ao poder em 2007, também substituindo seu marido, embora desta vez por meio de eleições presidenciais. Além de Bachelet, Isabelita e Cristina Kirchner, foram presidentas na América Latina Lidea Gueiler, da Bolívia; Violeta Barrios, da Nicarágua; Rosalía Arteaga, do Equador; Mireya Moscoso, do Panamá; Laura Chinchilla, da Costa Rica; e Dilma Rousseff, do Brasil. Entre março e maio de 2014, Bachelet, Cristina Kirchner, Chinchila e Rousseff ocuparam simultaneamente suas respectivas presidências.
    9Apenas 10 presidentas na história Esta imagem pode sugerir que as mulheres abriram caminho para as presidências da América Latina. Nada mais longe da realidade. Embora seis mulheres apareçam na foto coletiva da última reunião de cúpula Ibero-americana, realizada em outubro de 2016 em Cartagena de Índias (Colômbia), só Michelle Bachelet ocupava então a presidência de um dos países participantes. As demais estavam representando países que não tinham enviado seu chefe de Estado para o encontro. Dos 25 membros permanentes da Organização dos Estados Ibero-americanos, 17 jamais foram liderados por uma mulher, entre eles a Espanha. No total, a América Latina teve nove presidentas ao longo de sua história. A primeira foi María Estela Martínez de Perón, viúva de Juan Domingo Perón. Conhecida como Isabelita, ela assumiu o poder na Argentina quando Perón morreu (1974) e permaneceu até o golpe de Rafael Videla (1976). O país austral é o único que foi dirigido por duas mulheres. A segunda presidenta argentina foi Cristina Fernández de Kirchner, que chegou ao poder em 2007, também substituindo seu marido, embora desta vez por meio de eleições presidenciais. Além de Bachelet, Isabelita e Cristina Kirchner, foram presidentas na América Latina Lidea Gueiler, da Bolívia; Violeta Barrios, da Nicarágua; Rosalía Arteaga, do Equador; Mireya Moscoso, do Panamá; Laura Chinchilla, da Costa Rica; e Dilma Rousseff, do Brasil. Entre março e maio de 2014, Bachelet, Cristina Kirchner, Chinchila e Rousseff ocuparam simultaneamente suas respectivas presidências. getty