O período 2018-2022 será duas vezes mais quente que o recorde atual de temperaturas

Uma anomalia climática duplicará o efeito do aquecimento globlal, segundo um novo método estatístico

Uma mulher e uma criança protegem-se do sol, em Madri.
Uma mulher e uma criança protegem-se do sol, em Madri.FERNANDO ALVARADO / EFE

Apenas duas semanas após um relatório internacional ter confirmado que 2016, 2017 e 2015 foram, nessa ordem, os três anos mais quentes desde que os registros começaram em 1880, uma equipe de cientistas advertiu que o período 2018-2022 poderia ser ainda mais quente do que o esperado por causa do aquecimento global, devido à variabilidade natural do clima.

A mudança climática desencadeada pela atividade humana já provocou um aumento de um grau na temperatura do planeta no século passado —"uma média de 0,01 grau a cada ano"—, segundo o climatologista francês Florian Sévellec. Sua pesquisa prevê um aumento natural de 0,02 grau na temperatura atmosférica em 2018, um aumento de 0,03 grau entre 2018 e 2019 e, finalmente, um aumento de 0,01 grau em todo o período 2018-2022. A esse efeito da variabilidade natural, devemos adicionar o impacto da mudança climática causada por seres humanos.

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"Além da tendência de longo prazo para o aquecimento global, sugerimos que a variabilidade natural nos colocará em uma anomalia de calor, com o dobro do efeito da mudança climática em si", adverte Sévellec no Centro Nacional de Pesquisa Científica. O climatologista e seu colega Sybren Drijfhout, da Universidade de Southampton (Reino Unido), desenvolveram um novo método estatístico capaz de prever, retrospectivamente, o comportamento do clima durante o século XX. Seu modelo é publicado hoje na respeitada revista científica Nature Communications.

Descontar a variabilidade natural é fundamental para analisar o efeito das emissões humanas de gases de efeito estufa. O ano de 2016, por exemplo, foi o mais quente desde 1880 devido ao impacto do El Niño, um fenômeno cíclico natural ligado ao aumento das temperaturas na parte leste do Pacífico tropical. Sem o El Niño, o ano mais quente seria 2017.

Sévellec reconhece as limitações da sua abordagem estatística. "Com este método não podemos detectar diferenças regionais. Não sabemos onde ocorrerá o aquecimento previsto ou em que estação do ano", admite. O cenário mais pessimista das Nações Unidas prevê um aumento da temperatura de até seis graus no verão de 2100 na região do Mediterrâneo, se as emissões não forem cortadas. O ano de 2017 bateu o recorde de maior emissão CO2 dos últimos 800.000 anos.

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