Economia europeia

Crise da lira turca derruba Bolsas no mundo todo e contamina o Brasil

Mercado brasileiro abriu a segunda em queda, mas recuperou valores. Dólar bateu 3,92 e fechou 3,89

Corretores trabalham no edifício da Bolsa de Istambul.
Corretores trabalham no edifício da Bolsa de Istambul.SEDAT SUNA (EFE)

As principais Bolsas europeias abriram seus pregões no vermelho nesta segunda-feira, refletindo o impacto da crise monetária na Turquia, onde a lira se recupera levemente depois de o Banco Central anunciar um pacote destinado a injetar liquidez nos bancos. A crise respingou no Brasil e o Ibovespa abriu a semana em queda, tocando os 75 mil pontos (-0,76%, a mínima do dia), mas recuperou alguns valores no final da manhã, aproximando-se dos 77 mil pontos. A confusão cambial também afetou o dólar, que chegou a bater 3,91 reais nesta segunda. A Bovespa, no entanto, acabou fechando em alta de 1,28% e o dólar recuou a 3,86 reais.

A lira amanheceu com novas quedas e chegou a ser negociado a mais de sete unidades por dólar. Na sexta-feira passada, a moeda turca despencou 20% durante a jornada, causando bastante tensão nos mercados financeiros. O estopim para esse cenário foi o anúncio do presidente Donald Trump sobre novas tarifas dos EUA à importação de aço e alumínio da Turquia. A incidência da guerra comercial norte-americana sobre a depreciação da lira turca continua prejudicando os mercados de renda variável.

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Nesta segunda-feira a lira se recuperou ligeiramente, depois que o Banco Central turco comprometeu-se a proporcionar liquidez e a reduzir os níveis mínimos de reservas em divisas estrangeiras dos bancos locais. Antes do anúncio da entidade bancária, a moeda turca acumulava mais desvalorização.

O Banco Central turco disse que vai proporcionar “toda a liquidez necessária” aos bancos do país, além de reduzir o volume de reservas obrigatórias que são exigidas dos bancos turcos, como resposta às turbulências que já fizeram a moeda do país perder mais de 40% do seu valor e como forma de manter o funcionamento eficaz do sistema bancário. “O Banco Central vigiará de perto a profundidade do mercado e a formação de preços e tomará todas as medidas necessárias para manter a estabilidade financeira se considerar isso necessário”, anunciou a instituição em um comunicado.

Entre as medidas anunciadas nesta segunda está a de promover uma nova uma operação de refinanciamento nos dias de maior necessidade de liquidez, com vencimentos que oscilarão entre seis e dez dias. “Com esta revisão, aproximadamente 10 bilhões de liras turcas (5,6 bilhões de reais), seis bilhões de dólares (23,2 bilhões de reais) e três bilhões de dólares em ouro (11,6 bilhões de reais) serão oferecidos ao sistema financeiro”, informou a instituição.

A complicada situação monetária da Turquia estressou as Bolsas dos principais países europeus. Na Espanha, pela manhã, o Ibex 35 caía 0,9% no início da sessão e se mantém abaixo dos 9.600 pontos, puxado para baixo pelos principais bancos. O BBVA, a entidade com mais presença na Turquia e região, lidera as perdas, com quase 3,2%. Segue-o de perto o Santander, que perde 1,78% no mercado espanhol.

As taxas de risco associadas aos grandes países do Velho Continente também se ressentem e amanheceram em alta. O spread entre o bônus alemão com vencimento em 10 anos, considerado o mais seguro pelos investidores, e o espanhol está em 113 pontos básicos, quase 2% mais.

O resto das Bolsas europeias também abriu no vermelho. Em Paris, o índice CAC caía 2,3%, ficando em 5.500 pontos. Milão e Frankfurt também começaram o dia com perdas de 2,5% e 0,5%, respectivamente. O retrocesso de 0,8% em Wall Street na sexta-feira passada e as quedas das praças asiáticas nesta madrugada (Tóquio perdia 1,98%; Hong Kong caía 1,5%, e Xangai, 0,43%) prejudicaram os mercados europeus na abertura.

Os grandes bancos europeus são os principais prejudicados pela crise monetária da Turquia. Os investidores expressaram sua preocupação com a situação, segundo apurou a Reuters. Os bônus em dólares dos bancos turcos caíam, e as ações dos bancos europeus com interesses comerciais na Turquia, como UniCredit, BNP Paribas, BBVA e ING, também se viam debilitadas.