Governo Macri

Argentina vive a terceira greve geral contra a política econômica de Macri

É a terceira paralisação trabalhista convocada nos últimos 15 meses. Os sindicatos são contra o ajuste fiscal exigido pelo Fundo Monetário Internacional

Trabalhadores marcham em Buenos Aires durante uma paralisação no dia 14 de junho.
Trabalhadores marcham em Buenos Aires durante uma paralisação no dia 14 de junho.EITAN ABRAMOVICH (AFP)

A Argentina está novamente paralisada. Os sindicatos convocaram uma greve geral de 24 horas, com a qual desafiarão novamente o presidente Mauricio Macri por sua política econômica. Será a terceira que enfrenta durante seu mandato. Dessa vez, são contra o acordo feito pelo Governo argentino com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um resgate de 50 bilhões de dólares (190 bilhões de reais) que permitirá ao país enfrentar a crise cambiária iniciada em abril e que obriga a Argentina a aplicar um duro ajuste fiscal.

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Os organizadores calculam que pelo menos um milhão de trabalhadores aderiu à greve na segunda-feira que deixará o país sem serviço de trens, metrô, ônibus e voos. Ainda que a convocatória da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) limite-se a uma paralisação de atividades, sem manifestações, setores mais radicais anunciaram que cortarão os acessos à cidade de Buenos Aires com mobilizações.

Com um mal-estar crescente pela situação econômica, que obrigou o Governo a fazer um acordo com o FMI, essa será a ocasião de medir a capacidade de resistência sindical. Os sindicatos protestam também pelo aumento de tarifas e pedem o fim das demissões da administração pública. Como proposta concreta, os sindicatos pedem a reabertura da negociação de ajustes salariais desse ano, para que se alinhem à projeção de inflação, calculada agora pelo Banco Central em 27%, já que as negociações realizadas no começo do ano fizeram um cálculo de 15%.

Desde a meia-noite, os ônibus não circulam pelas grandes cidades e poucos táxis andam pelas ruas, informa a agência EFE. Também é quase inexistente a circulação de caminhões e em Buenos Aires o trem de mercadorias que faz a ligação entre os dois setores do porto também não funciona. A greve também afetará as entidades bancárias, os escritórios, hospitais (com exceção das urgências) e escolas e universidades públicas, assim como os serviços de retirada de lixo e as estações de serviço.

A paralisação decretada pela peronista CGT ganhou a adesão da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) e a CTA-Autônoma, uma das divisões da CTA, também atendeu ao chamado da CGT. Partidos de esquerda de oposição convocaram os trabalhadores a uma concentração às 11h da manhã no Obelisco, localizado na avenida 9 de julho de Buenos Aires.

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