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EDITORIAL

O erro da Oxfam

Os controles sobre a conduta ética dos funcionários falharam

Uma sede da Oxfam em Londres.
Uma sede da Oxfam em Londres. REUTERS

Há condutas que sempre são reprováveis, mas são ainda mais quando ocorrem no seio de uma organização que tem como fundamento de sua existência os valores e princípios éticos. É totalmente inaceitável que membros da Oxfam contratassem prostitutas e organizassem orgias em 2011 enquanto estavam em missão humanitária no Haiti depois do terrível terremoto que assolou a ilha. O fato é especialmente grave quando se leva em conta que o responsável pela missão já havia tido uma conduta semelhante no Chade em 2006. A repetição indica que, pelo menos nesse momento, os controles internos sobre a conduta ética do pessoal eram frágeis ou inexistentes.

A organização expressa agora sua “tristeza, indignação e vergonha”, e é bom que entoe um mea culpa sincero. E também que em consequência do escândalo tenham apresentado sua demissão altos dirigentes da entidade. Mas o mais importante é garantir que algo assim nunca mais se repita. Embora esteja claro que a conduta reprovável é imputável a uma ínfima parte de seus 10.000 trabalhadores, tem consequências devastadoras para todo o setor das ONG. Fatos como esse não só afetam o prestígio de uma organização humanitária que opera em 90 países, tem mais de 2.000 programas em curso e conta com milhões de voluntários; também causam um dano direto irreparável aos milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade que podem beneficiar-se da solidariedade internacional por intermédio desse tipo de organização.

Temos de aplaudir a determinação da Oxfam de recuperar a confiança dos cidadãos e celebrar seu anúncio de que aplicará medidas de controle interno rigorosas e eficazes para evitar que fatos tão graves se repitam. Isso vai requerer um grande esforço e muita transparência. Não há outro caminho para recuperar a credibilidade de uma organização que, como as demais ONGs, é e continuará sendo muito necessária.

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