Julia Roberts: “Conquistei o direito de ficar em casa e desfrutar disso se quiser”

Aos 50 anos, atriz diz que se sente feliz e trabalha menos, já que agora pode se dar ao luxo de escolher seus papéis

Julia Roberts, em 5 de outubro em Londres.
Julia Roberts, em 5 de outubro em Londres.Vera Anderson (WireImage)

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Julia Roberts acaba de completar 50 anos, quase 30 deles de carreira, e não poderia estar mais feliz com a vida. Com três filhos crescidos e uma nova estreia nas telas, ela celebra o "direito conquistado" de poder ficar em casa se quiser e de escolher seus papéis. A idade, para ela, não tem importância. "Não me assusta. Não tenho medo", assinala um dos maiores ícones de Hollywood. Conversando com o EL PAÍS, a "namoradinha da América" não perdeu uma gota de sua beleza, de seu sorriso ou desse sarcasmo que às vezes se apropria do melhor de Roberts. "Não entendo essa obsessão pelos 50 e não pelos 47. É mais um dia ao redor do sol", afirma, querendo esquecer o dia 28 de outubro, quando fez aniversário. Diz que passou a data em família, nada especial. Assim como gosta de passar sua vida desde que conheceu Daniel Moder, com quem se casou em 2002 e tem três filhos: os gêmeos Hazel e Phinnaeus, de 12 anos, e Henry, de 10. "Sinto-me fantástica aos 50, assim como me senti no ano passado e me sentirei no próximo", resume.

O aniversário foi celebrado em meio à promoção de sua próxima estreia, Extraordinário, filme baseado no romance homônimo lançado no Brasil pela editora Intrínseca, sobre a vida de um menino com uma deformação crânio-facial. Roberts leu o livro de R.J. Palacio com sua família e gostou tanto que quis facilitar sua produção acrescentando seu nome ao elenco como a mãe do protagonista. Julia Roberts pode se dar ao luxo de escolher o papel que quer para sair dessa espécie de semiaposentadoria antecipada em que vive. "Nunca poderia haver imaginado a posição que desfruto, uma carreira que me realizasse tanto", reflete agora que o primeiro filme de sua carreira, Três Mulheres, Três Amores, já tem quase três décadas. "Mas a maior surpresa é que passaram 30 anos e parece ontem. Por dentro, sou a mesma garota. A única coisa que mudou é que me formei e, em vez de usar camiseta, passei a usar camisa", descreve ela sobre as três décadas nas quais deixou o público apaixonado com Uma Linda Mulher (1990), ganhou o Oscar com Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento (2000) e passou a ser uma das estrelas mais bem pagas de Hollywood, com uma fortuna avaliada em 150 milhões de dólares (491 milhões de reais).

Embora o brilho de seu nome e de sua fortuna fale de outra coisa, Roberts prefere se concentrar em vitórias diferentes na hora de dizer como está encantada com sua vida. "Quando você é mãe, muda de uma forma como nunca imaginou", resume. "Em minha família, podemos nos dar ao luxo de falar durante o jantar, de reduzir nossa pegada ambiental quando uso recipientes reutilizáveis ao fazer o almoço para meus filhos levarem para a escola. Adoro cozinhar a qualquer hora. Gosto até de lavar roupa. Sei que minha situação é única, mas também sei que ganhei o direito de ficar em casa e desfrutar desse luxo se quiser."

Julia Roberts com seu amigo George Clooney.
Julia Roberts com seu amigo George Clooney.

Sua situação não é tão única. George Clooney, amigo e colega de elenco em Onze Homens e um Segredo, também desfruta de uma situação similar, agora pai de gêmeos ao lado de sua mulher, Amal Clooney. E Roberts não poderia estar mais contente pelo fato de que outros sigam seu exemplo na hora de aproveitar a vida. "Os botões da minha camisa arrebentam de tanta alegria", diz, brincalhona, sem esconder o quanto zombou do outrora solteiro mais cobiçado do mundo ao felicitá-lo por telefone por sua paternidade. "Minha vida tem muito pouco estresse", conclui a rainha de Hollywood.