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A Argentina dá as costas a Messi

Boa atuação do atacante não é suficiente pra derrotar o Peru, e a Alviceleste agora precisará vencer o Equador para garantir vaga na repescagem das Eliminatórias

Argentina vs Peru Ampliar foto
Messi, no duelo entre Argentina e Peru. AP

A cada rodada das Eliminatórias, a Argentina fica um pouco mais distante da Copa da Rússia. Os tropeços se repetem independentemente do palco, da escalação e do rival, tão condenada está a Alviceleste. Não há quem faça um gol, nem mesmo Messi, que teve ótima atuação no comando de ataque, fez assistências aos quatro atacantes em campo, mas foi novamente barrado pelo goleiro peruano Gallese, numa partida que acabou em 0 x 0. Messi não tinha como se esforçar mais, faltou só o gol, algo que nem Deus parece ser capaz de fazer na Argentina – que chega à última rodada das Eliminatórias fora da zona de classificação, e terá de vencer o Equador para garantir vaga na repescagem contra a Nova Zelândia.

Argentina 0 x 0 Peru

Argentina: Romero; Mercado, Otamendi, Mascherano, Acuña; Biglia, Banega (Gago, min. 60; Enzo Pérez, min. 66); Di María (Rignoni, min. 46), Messi, Papu Gómez; e Benedetto.

Peru: Gallese; Corzo, Rodríguez, Araujo, Trauco; Yotún, Tapia (Pedro Aquino, min. 77), Flores, Peña (Cartagena, min. 53); Farfán (Andy Polo, min. 69) e Guerrero.

Árbitro: Pereira Sampaio (Brasil) advertiu Biglia, Farfán, Tapia, Guerrero e Acuña

Estádio: Bombonera, cerca de 49.000 espectadores.

Depois da rodada desta quinta, a Argentina perdeu a quinta posição – a vaga da repescagem – para o próprio Peru, que tem a mesma pontuação, mas vantagem no saldo de gols. O Peru faz seu último jogo contra a Colômbia, que tem apenas um ponto a mais. Se houver empate nesse jogo, a Argentina conseguiria a classificação direta caso derrote o Equador. Aumenta, portanto o drama para a Alviceleste, que mereceu um resultado melhor, sobretudo pela atuação de Messi. Os atletas de Gareca lutaram muito até o intervalo, e depois se entregaram a um bom exercício defensivo, protegidos por seu goleiro, estupendo nas disputas homem a homem com os atacantes argentinos. Com apenas 16 gols em 17 rodadas, o ataque argentino é ineficiente demais para ir a uma Copa.

A Argentina se alternava entre excessos de calma ou pressa demais. Em outras palavras, não encontrou o ponto ideal, pressionada que estava pela vertigem da Bombonera e intimidada pela disposição do Peru, uma equipe bem armada, que se associa facilmente e se penetra com agudez nos lances com Paolo Guerrero. A partida foi um vaivém de Di María, até que Messi apareceu. O 10 ia buscar a bola na intermediária, empenhado em ser Riquelme e Maradona, obcecado em driblar do centroavante ao goleiro, excessivamente acelerado, convencido de que teria de resolver o jogo num cara a cara com Pedro Gallese.

Messi recebia a bola com a mesma facilidade com que era marcado pelos zagueiros peruanos. O jogo tinha sido todo concebido – nas arquibancadas e no gramado – para que o 10 brilhasse. Dybala chegou a ser sacado para não incomodar o astro, que não conseguia se entrosar com Benedetto, o artilheiro do Boca, substituto de Icardi. Em três jogos, Sampaoli montou três escalações diferentes, sem encontrar o melhor time para servir a Messi. Faltavam ao barcelonista finura e precisão para concluir o último drible, armar o chute e acertar no gol rival.

Poucas ocasiões

A Argentina tem imensa dificuldade para gerar chances de gol, pois lhe falta jogo e profundidade, além de estar exposta aos contra-ataques, como se viu num chute a longa distância de Farfán. Os dois únicos chutes a gol da Argentina antes do descanso foram, em todo caso, de Messi, sendo o último deles precioso, junto à trave direita. O roteiro previa que a Argentina teria que ganhar de qualquer jeito com um gol do 10, mas ele acabou sendo neutralizado pela marcação escalonada do Peru, que se mostrava relativamente à vontade no alçapão do Boca Juniors. Sampaoli não tinha um plano B.

Não há na Argentina, coletivamente tão limitada, quem consiga se livrar da marcação, movimentar a bola, defender e atacar como equipe. O time não joga nem arremata; em vez disso, caminha e tropeça, lento e previsível, sem luzes nem espaço no campo peruano. Os rapazes de Gareca nunca pareceram interessados em ganhar o jogo, apesar da desorientação da Argentina. Os treinadores vão e vêm, os jogadores mudam constantemente, variam os sistemas, e Messi continua sem encontrar o gol na Argentina e na Venezuela, sem sorte na América.

Messi. ampliar foto
Messi. AP

Falta sorte ao camisa 10, que fez uma arrancada furiosa no segundo tempo, numa jogada com dois arremates: o goleiro salvou um chute de Benedetto após passe de Messi, que, na sequência, finalizou na trave direita de Gallese. Na falta de um volante com linha de passe e de um armador clarividente, por um momento Mascherano apareceu para ajudar o craque do time. Não há notícias da última jogada de gol da Argentina. Seria preciso remontar aos jogos do ano passado e observar o confronto com a Colômbia. Messi, no entanto, não desfalecia na Bombonera.

O argentino deu um gol feito a Rigoni, que no entanto falhou, assim como antes havia falhado Papu Gómez. O rival se encolheu cada vez mais e ficou reduzido a Gallese, um goleiro estupendo, forte com os pés e as mãos, excelente na hora de reduzir os espaços, sobretudo frente a Benedetto. A fatalidade aumentava a cada minuto para a Alviceleste por causa dos chutes nas traves, das chances perdidas, das defesas de Gallese, dos bloqueios peruanos e pelas substituicos frustradas: Fernando Gago passou três minutos em campo antes de se contundir outra vez e ser substituído por Enzo Pérez.

Já não havia quem resolvesse o confronto, porque Messi, abatido por tanto esforço, não acertou nas jogadas mais fáceis, duas cobranças de falta que pareciam feitas sob medida, seja para marcar ou para fazer uma assistência. Não teve jeito para o 10, e a partida terminou com um lançamento direto de Paolo Guerreiro que Romero espalmou. A intervenção do goleiro argentino permitiu que sua equipe ainda possa ficar em quinto lugar e disputar a repescagem se ganhar em Quito na última rodada. Uma tortura para a Alviceleste de Messi.

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