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O. J. Simpson obtém liberdade condicional depois de nove anos preso

Ex-astro do futebol americano, de 70 anos, estava preso por roubo a mão armada

O J Simpson
O. J. Simpson e seu advogado, nesta quinta-feira. AFP

OJ Simpson poderá sair da prisão em outubro deste ano, depois de passar nove anos preso por roubo à mão armada. O antigo astro do futebol americano, um dos esportistas mais idolatrados dos Estados Unidos nos anos 80, obteve nesta quinta-feira o voto favorável unânime do Comitê de Condicional do Estado de Nevada (EUA), em uma audiência retransmitida ao vivo a todo o país – como o julgamento pelos assassinatos de sua ex-esposa Nicole Brown e de Ronald Goldman, pelos quais foi absolvido em 1995.

O ídolo decaído, de 70 anos, compareceu nesta quinta-feira perante o Comitê de Liberdade Condicional do Estado de Nevada em sua última oportunidade para a liberdade condicional. A audiência se realizou por videoconferência entre a prisão e Carson City, e todo o país pôde ver Simpson de novo diante de um tribunal argumentando que é “um bom sujeito”. Uma das circunstâncias citadas pelo tribunal para lhe conceder a liberdade é a falta de antecedentes criminais.

Orenthal James Simpson está na prisão por um assalto à mão armada a um colecionador de troféus em Las Vegas, de quem queria recuperar algumas lembranças de sua carreira como esportista, segundo sua versão. Simpson foi condenado em 2008 por 12 delitos, incluindo sequestro, roubo e assalto à mão armada, devendo cumprir no mínimo 9 anos e no máximo, 33. O Comitê já lhe havia concedido a condicional por oito das acusações em 2013. Se tivesse uma sentença contrária nesta ocasião, não poderia voltar a pedir a condicional até 2022. Um bom sinal para ele era que o ex-procurador-geral do Estado de Nevada se havia mostrado favorável à concessão da liberdade condicional. E há alguns anos o comitê destacou sua boa conduta na prisão.

O. J. Simpson, durante o julgamento pelo duplo assassinato em maio de 1995.
O. J. Simpson, durante o julgamento pelo duplo assassinato em maio de 1995. AFP

Ao avaliar o histórico penal de Simpson, o país inteiro recorda os acontecimentos de 1995. O julgamento televisionado de O. J. Simpson, durante 134 dias, pelo assassinato de sua ex-esposa Nicole Brown e Ronald Goldman, é ainda hoje o julgamento do século nos Estados Unidos. Uma história que no ano passado se tornou a trama da série American Crime Story: The People vs O. J. Simpson e do documentário O. J.: Made in America. Embora o esportista tenha sido absolvido do duplo crime, a sombra da suspeita nunca desapareceu. Sua absolvição foi vista como uma revanche pela sentença no julgamento do espancamento de Rodney King, que deu origem aos distúrbios de Los Angeles em 1992.

Da mesma forma que aquela sentença fora vista como uma decisão influenciada pela vontade do júri de absolver um homem negro, contra uma grande quantidade de evidências que comprometiam seriamente a versão de Simpson, a sentença de Las Vegas foi considerada excessiva para os fatos julgados.

Na audiência desta quinta-feira Simpson voltou a transformar a Justiça em um espetáculo. Deveria durar alguns minutos e se transformou em uma retransmissão ao vivo de hora e meia. Diante da pergunta sobre “o que estava pensando?” quando ocorreu o assalto à mão armada, Simpson se pôs a relatar de novo sua versão, eximindo-se de culpa pelos fatos, como se se tratasse de um novo julgamento. Ficou 20 minutos falando, rindo, fazendo piadas e lembrando a magnética personalidade que o levou a ser uma das pessoas mais populares do país.

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