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O oásis filantrópico da fama

A empresa Omaze já viabilizou ações solidárias de famosos como Julia Roberts, Serena Williams e Malala

A atriz Julia Roberts e o cantor Bono, em um projeto solidário da Omaze.
A atriz Julia Roberts e o cantor Bono, em um projeto solidário da Omaze.

Lembra-se de quando o ator Idris Elba se oferecia para ser seu par no dia dos namorados? Ou quando Matt Damon brincou de fazer pegadinhas em plena rua e com espiões improvisados no estilo Jason Bourne? Pois bem, por trás dessas campanhas se escondia uma iniciativa solidária orquestrada pela Omaze, uma empresa que ajuda os famosos a levar adiante suas ações filantrópicas de modo criativo, divertido e viral.

“Há muitas estrelas que, como milionárias que são, precisam sentir-se um pouco melhor com sua riqueza. Trata-se de pessoas influentes que buscam canalizar de modo positivo sua influência, e nosso modelo é simples e eficaz para elas”, explica ao EL PAÍS o cofundador e executivo-chefe da empresa, Matt Pohlson.

Ele e seu amigo Matt Cummins tiveram a ideia quando estudavam na Universidade Stanford. Foram a uma cerimônia de gala beneficente em que foi leiloado um lugar para assistir ao lado de Magic Johnson uma partida dos Lakers pelo equivalente a 50.000 reais. Como bons estudantes, sua economia não deu nem para começar a dar lances. No entanto, transformaram sua frustração em um bem-sucedido projeto que batizaram em 2012 como Omaze. Por que não criar um sistema de arrecadação de fundos mais parecido com uma loteria com pequenas doações de 10 dólares – uns 35 reais – e cujo vencedor pudesse ganhar uma experiência inesquecível? Depois de trabalhar na Fundação Clinton, decidiram recorrer aos amigos e dar a partida. E, embora o início tenha sido duro, o primeiro projeto foi sair no programa Cupcake Wars e arrecadaram apenas 2.300 reais –, pouco a pouco foram ganhando reputação. Colaboraram com 200 organizações sem fins lucrativos, realizaram vídeos que somam mais de 500 milhões de reproduções, têm uma equipe de 67 pessoas e arrecadaram dinheiro em 175 países.

Matt Cummins e, à direita, Matt Pohlson, fundadores da Omaze.
Matt Cummins e, à direita, Matt Pohlson, fundadores da Omaze.

Apoiaram causas como a dos direitos dos animais e à educação. Ajudaram bebês com HIV e pessoas que sofrem de leucemia. E, sobretudo, entre seus acertos está conseguir que grandes personalidades se unam à sua equipe. Os atores Julia Roberts, Arnold Schwarzenegger, Robert Downey Jr., Neil Patrick Harris, a tenista Serena Williams, Malala e mais recentemente, Ben Stiller, colaboraram com eles. “Temos a sorte de lidar com a parte mais amável desses famosos. Conosco sempre têm um tratamento excelente”, diz Pohlson.

O ator Ben Stiller, em uma campanha da Omaze para arrecadar fundos em apoio à educação de crianças ao redor do mundo.
O ator Ben Stiller, em uma campanha da Omaze para arrecadar fundos em apoio à educação de crianças ao redor do mundo.

Seu primeiro grande êxito foi a campanha que realizaram em meados de 2013, com Bryan Cranston e Aaron Paul. No total, arrecadaram 5,3 milhões de reais entre quem queria assistir à estreia em Los Angeles, em trailer, com os protagonistas da série Breaking Bad. Em 2014 voltaram a se encontrar com Magic Johnson e leiloaram o mesmo plano ao qual não tinham tido acesso anos antes. “Contamos a história para ele. Ele está comprometido em usar sua imagem para causas nobres. Definitivamente, foi um dos melhores momentos de minha vida”, confessa Pohlson.

O segredo de seu sucesso é a criatividade e sua capacidade de transformar o conteúdo em viral. Sua maior arrecadação até agora foi a da campanha que realizaram com Mark Hamill. Ofereciam ver o lançamento do último episódio de Star Wars antes de todo mundo. Arrecadaram 14 milhões de reais que foram destinados a 15 organizações beneficentes, pois cada membro do elenco escolheu uma delas.

No entanto, de todas as histórias que viveram a que mais impressionou Pohlson foi a de Chloe Howard, uma garota de 15 anos que sofria bullying por ter nascido com um pé torcido e sem unhas. Quando seu pai ganhou, por intermédio da Omaze, a possibilidade de estar nos bastidores com Bono, o cantor do U2 aconselhou a jovem a converter em força toda a sua diferença. “Vimos como essas palavras a transformaram”, lembra-se. A história de Chloe acabou sendo tema de um documentário e agora ela se dedica a dar palestras e a escrever livros de autoajuda.

Cinco anos depois de sua criação, Pohlson acredita que agora as causas mais urgentes são as das mudanças climáticas e a da prestação de serviços médicos a lugares como o Sudão do Sul.

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