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Os famosos querem ter filhos e buscam mães

Nicole Kidman, Bosé e Jessica Parker recorreram a barrigas de aluguel para tê-los

Sarah Jessica Parker e Matthew Broderick
Sarah Jessica Parker e Matthew Broderick

“Você sofre algumas vezes, até que chega uma hora em que começa a achar que talvez nunca venha a acontecer. Pensei que nunca seria capaz de engravidar, mas então, fui mãe aos 41 anos”, dizia Nicole Kidman há alguns meses. Depois, ela quis ser mãe de novo, com seu marido Keith Urban, e houve novas complicações. “Decidimos ter nossa segunda filha com gravidez de uma outra porque queríamos muito”. Embora ainda hoje, aos 50 anos, ela continue tentando engravidar (“Tenho uma leve esperança de que este ano aconteça. Minha avó teve minha mãe com 50”, disse ela no começo deste ano), depois de passar por muitos problemas, enfrentar o processo de adoção foi a solução encontrada para o seu “desespero”. “Toda pessoa que já esteve em situação assim, que tenha desejado ter outro filho ou filhos sabe como é decepcionante, a dor e a perda que se sofre quando se tenta e não se consegue”. A atriz é uma de várias famosas que fizeram essa opção.

A impossibilidade de engravidar, como no caso de Kidman ou, agora, o de Kim Kardashian; ou a maternidade tardia, como foi o caso da baronesa Thyssen, mãe pela segunda vez depois dos 60 anos, ou como ocorreu recentemente com Robert De Niro e sua mulher, Grace Hightower, são algumas das razões pelas quais a celebrities – assim como as demais pessoas — recorrem a essa prática que não é reconhecida legalmente na Espanha, mas sim nos Estados Unidos e particularmente comum na Califórnia, cujas clínicas são procuradas por famosos do mundo todo. O último a fazê-lo foi Cristiano Ronaldo. Segundo a televisão portuguesa, o jogador do Real Madrid foi pai de gêmeos dias atrás depois de contratar uma barriga de aluguel na costa oeste dos EUA.

Embora nunca tenha feito referência explícita a essa técnica da primeira vez que teve filho e também agora, Cristiano Ronaldo integra um outro grupo de famosos que recorrem a essa opção: o de homens solteiros. Ricky Martin, o apresentador Jaime Cantizano, o cantor Miguel Povesa e Miguel Bosé optaram pela gestação alugada nos EUA. “Entrei nessa aventura sozinho porque estou solteiro há vários anos”, disse Cantizano, que, além disso, é muito ativo na luta pela legalização da prática na Espanha. Bosé tentou adotar, mas, segundo afirmou ao completar 50 anos, “fecham todas as portas para você”.

Miguel Bosé, com seus filhos, em abril.
Miguel Bosé, com seus filhos, em abril.

“Facilitar os mecanismos de adoção” é, justamente, um dos objetivos de Pedro Sánchez, líder do PSOE, que é contrário às barrigas de aluguel, como as militantes feministas de seu partido, por considerar que isso mercantiliza o corpo da mulher. A gestação por aluguel será debatida no congresso socialista deste fim de semana e é um tema candente no meio político espanhol. As nuanças das diversas posições sobre o tema incluem a gestação altruísta, ou seja, sem uma compensação financeira para a mãe portadora.

Relação de longo prazo

Nos EUA, paga-se entre 75.000 e 125.000 euros (263.000 e 438.000 reais) por uma barriga de aluguel. Esse preço inclui a remuneração da gestante, que recebe cerca de 40.000 euros, as taxas legais e da agência, o seguro médico e até mesmo o apoio psicológico à mãe gestante. Em geral, quem contrata pode manter contato constante com ela. Foi o que fizeram Sarah Jessica Parker e Matthew Broderick, que, depois de tentarem voltar a ser pais depois de vários anos, acabaram optando por essa prática e tiveram de sair em defesa da gestante de seus gêmeos, pois a imprensa descobriu sua identidade e a perseguiu, chegando a “hackear seu celular”, segundo denunciou a atriz. A também atriz Elizabeth Banks agradeceu publicamente às mulheres que tiveram seus dois filhos e disse ter estabelecido com elas uma relação “para toda a vida”.

Como funciona no Brasil

Atualmente, o procedimento no Brasil é conhecido como Doação Temporária de Útero, já que ele só pode ser realizado da maneira altruísta. A legislação brasileira também explicita que o procedimento deve acontecer dentro da família. Uma parente de até segundo grau, como mãe, avó, irmã ou tia, pode se voluntariar para a gestação. Antes disso, porém, a mulher deve passar por uma avaliação psicológica. A fecundação será realizada pelo método in vitro antes de ser implantado no útero. Os casais homossexuais não são beneficiados pela regra.

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