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Advertência de Merkel

Relação transatlântica atravessa o pior momento de sua história

Angela Merkel se refresca depois de discursar em um ato da CSU
Angela Merkel se refresca depois de discursar em um ato da CSUMATTHIAS BALK (AFP)

As palavras de Angela Merkel depois das reuniões da OTAN e do G-7 nas quais afirmava que os tempos em que a Europa podia confiar completamente em seus aliados britânicos e norte-americanos “terminaram” não devem ser consideradas nem como uma expressão simples de frustração com os resultados nulos das reuniões em Bruxelas e Taormina nem como um ataque de birra político destinado a obter algum benefício. São uma séria advertência sobre como está complicada a relação transatlântica, que constituiu a pedra angular do progresso e da segurança na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

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A chanceler alemã fez bem em não colocar panos quentes. É imprescindível encarar a realidade: a Europa é hoje muito menos segura do que há cinco meses. E é, entre outras razões, porque o novo presidente dos Estados Unidos demonstrou amplas evidências de não compreender a importância das alianças de todo tipo que unem os dois lados do Atlântico Norte. Donald Trump desprezou a OTAN avaliando o maior pacto defensivo do planeta estritamente em termos de equilíbrio comercial e tratando seus aliados – é bem ilustrativo o exemplo do empurrão no presidente de Montenegro – como um incômodo.

Parece que Trump se entende muito melhor com líderes autoritários – do russo Putin ao turco Erdogan passando pelo filipino Duterte ou o chinês Xi – que com presidentes democráticos. Não se parece a nenhum de seus predecessores, que, quando sofreram rejeições políticas na Europa – George W. Bush é um caso recente – jamais pensaram em questionar a relação com seus aliados naturais.

Se o conceito de geoestratégia do ocupante do Salão Oval é que “os alemães são muito ruins”, porque fazem bons carros, os líderes europeus estão enfrentando um interlocutor com quem será muito difícil se entender. Isso não significa que a Europa deva jogar a toalha. Ao contrário. Existem vários canais com os EUA, começando pelo Congresso, cuja importância é agora maior do que nunca e que a UE deve reforçar e cuidar.

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