Estados Unidos

Clinton recorda o impeachment de Nixon para atacar Trump

Ex-candidata democrata defende a resistência dos cidadãos às políticas do republicano

Ex-secretária de Estado Hillary
Ex-secretária de Estado HillaryJ. Reynolds (AP)

“Vocês devem ter ouvido por aí que as coisas não saíram como eu havia planejado, mas estou bem”, disse a ex-secretária de Estado logo depois de subir ao palco, onde foi recebida com um “bem-vinda a casa”. Clinton foi a primeira estudante da Wellesley a fazer um discurso de graduação em 1969. Nesta sexta-feira, quase cinco décadas depois, apontou vários paralelismos entre a situação política da época e a atual. “Meus amigos me pediram então que falasse do que os preocupava e nossa responsabilidade em mudar isso.”

Clinton falou de uma geração de mulheres – a de finais dos anos 60 e a de agora – que “não confiava no governo nem na maioria dos líderes”, em um contexto de profunda desigualdade nos direitos civis das minorias e dos ataques aos mais pobres. “Mas também estávamos furiosas por ter perdido as últimas eleições para um homem cuja presidência acabaria em uma moção de censura por obstrução à Justiça.”

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Sem nomear nenhum dos dois, Clinton traçou um paralelismo entre Richard Nixon e Donald Trump e ganhou a primeira ovação da manhã. “E tudo isso depois de demitir a pessoa que o investigava”, acrescentou, em referência à decisão de Trump de substituir James Comey, diretor do FBI e responsável pelas investigações sobre a trama russa para o favorecer nas eleições.

As referências não pararam aí. Clinton lembrou que “superamos”, em referência ao escândalo de Watergate que forçou a renúncia de Nixon, e que a pressão dos cidadãos serviu para “alterar leis e reverter a onda de intolerância em favor da inclusão”. A aluna mais conhecida de Wellesley recordou que essa mudança chegou graças a “cidadãos que insistiram na verdade” e pediu às recém-formadas que não deixem que ninguém lhes diga que sua voz não importa.

“Na internet e pessoalmente, sempre haverá quem esteja disposto a nos dizer que nada temos a contribuir, haverá uma avalanche de trolls”, afirmou. “Alguns até lhe dirão que você é uma mulher asquerosa”, acrescentou, lembrando o insulto de Trump contra ela em pleno debate eleitoral. “Aprendi que o pior que se pode dizer a uma graduada desta universidade é que se sente e se cale.”

No discurso, muito mais político do que costumam fazer os oradores nessas cerimônias, Clinton lembrou o momento especial que os Estados Unidos atravessam na atualidade. Repassou desde a insistência da Administração Trump em “fatos alternativos” para contestar a verdade até as bolhas de opinião nas redes sociais, onde os usuários não se cruzam com os que têm pontos de vista diferentes dos seus.

“Vocês se perguntam por que falo disto se nenhuma de vocês é parlamentar, responsável pelo algoritmo do Facebook ou dona de um canal de televisão, disse a democrata. Clinton atacou o orçamento “incalculavelmente cruel” defendido pelos republicanos, suas medidas anti-imigrantes e suas declarações contra as minorias raciais e religiosas, e instou as estudantes a lutarem por seus valores. “Quando os poderosos inventam os fatos e atacam quem os questiona, isso pode marcar o princípio do fim de uma sociedade livre. Não é um exagero, é o que temos visto os regimes totalitários fazerem.”

A ex-candidata presidencial reiterou que fundou a organização Onward para dar impulso às carreiras “de todos os que queiram deixar sua marca” porque “este trabalho nunca acaba”, e confessou o que a fez manter a esperança depois da derrota nas últimas eleições. “Todos os que me disseram que minha derrota não os derrotou .”

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