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Macron tem reforma trabalhista impopular como prioridade

"Moralização" da vida pública será outra meta no início da gestão do presidente eleito na França

Manifestantes protestam contra plano de reforma trabalhista.
Manifestantes protestam contra plano de reforma trabalhista. REUTERS

Emmanuel Macron tem pressa para ser presidente e tem ainda mais pressa para começar a aplicar seu programa. O iminente futuro inquilino do Eliseu prometeu pôr mãos à obra assim que se instalar na poltrona presidencial e definiu uma lista de prioridades de Governo que, além da intenção de fortalecer a Europa e melhorar a educação, especialmente a primária, giram em torno de dois grandes eixos.

“Moralização” da vida pública

Depois de uma campanha repleta de escândalos de suspeita de corrupção como os que fizeram naufragar o candidato conservador dos Republicanos, François Fillon, Macron reiterou em seu primeiro discurso como presidente eleito, na noite de domingo, que fará da “moralização da vida pública” o “pilar” de seu quinquênio. Segundo adiantou, prevê apresentar um projeto de lei que, entre outras coisas, proibirá ministros e parlamentares de contratar familiares ou pessoas próximas. Também não poderão combinar sua função pública com uma profissão de consultoria. Ambas as medidas são inspiradas no caso Fillon, que está sendo investigado por suspeita de criar empregos fictícios para a mulher, Penelope, e que manteve uma empresa de consultoria que teria se beneficiado de sua agenda política. Mas o fracassado candidato conservador não é o único caso. No fim de março, apesar de estar quase no fim do seu mandato, o ministro socialista do Interior, Bruno Le Roux, teve de renunciar por contratar suas filhas com altos salários. Macron também quer limitar a três o número de vezes que alguém pode ser eleito para o mesmo cargo.

Uma complicada reforma trabalhista

Não tinham se passado nem 24 horas desde a vitória de Macron e, já na segunda-feira, manifestantes saíam à rua em Paris para avisar ao presidente eleito que as conquistas sociais “são intocáveis”. Um aviso inconfundível de que Macron pode topar com muitos obstáculos em outra de suas prioridades declaradas, uma reforma da polêmica lei do trabalho aprovada pelo Governo Hollande entre fortes protestos sociais. Apesar de sua impopularidade, Macron a considera “insuficiente” e diz querer mais “flexibilidade” para fomentar o emprego e a produtividade. Embora ainda não haja um texto final, o presidente eleito adiantou que quer que as empresas possam negociar os limites da jornada trabalhista e até os salários, deixando de lado os acordos coletivos. Em compensação, quer reduzir os encargos dos autônomos e propõe a supressão para 80% dos franceses do imposto municipal de residência.

 

 

 

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