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A incrível ressurreição do Leicester City desde a demissão de Ranieri

Após derrotar o Sunderland, Shakespeare soma cinco vitórias consecutivas na Premier League

Técnico interino alcança marca recorde de Ancelotti e Guardiola

Shakespeare, antes da partida contra o Sunderland.
Shakespeare, antes da partida contra o Sunderland. Getty

O Leicester City, clube que sob o comando de Claudio Ranieri e com um orçamento de 55 milhões de euros (182 milhões de reais) conseguiu conquistar o título da Premier League em 2016 – uma competição avaliada em 4,91 bilhões de euros (16 bilhões de reais) –, se tornou desde então um fenômeno esportivo digno de estudo. Não só por seu feito, tão inesperado que fez com que uma casa de apostas acertasse um acordo com um torcedor sonhador que quebraria a banca – embolsou 72.000 libras (280.000 reais) apesar do prêmio final chegar aos 323.000 euros (1 milhão de reais) –, mas porque a trajetória do inesperado campeão na temporada seguinte vive uma sucessão de capítulos completamente inconstante. Após um início de campeonato irregular que logo colocou a equipe na luta para evitar o rebaixamento as águas parecem mais calmas na metade desse primeiro semestre.

Uma sequência de sete derrotas consecutivas entre os meses de janeiro e fevereiro culminou na demissão do anteriormente idolatrado Ranieri, e na promoção do treinador auxiliar, Craig Shakespeare, em técnico principal. Shakespeare, um ex-jogador sem carreira de destaque no futebol profissional e que até a chegada de Ranieri só havia trabalhado como olheiro no West Bromwich Albion, terminou por se transformar em um dos treinadores mais bem-sucedidos do futebol inglês após o Leicester derrotar o Sunderland na terça-feira (2 x 0, com gols de Slimani e Vardy) e chegar a sua quinta vitória consecutiva em seus cinco primeiros jogos como técnico principal na Inglaterra. Um recorde que até então era ostentado somente por Carlo Ancelotti com o Chelsea em 2009 e Pep Guardiola na atual temporada no comando do Manchester City. Além da sequência, o atual campeão da Premier League eliminou o Sevilla, nas oitavas de final da Champions League, e segue vivo na maior competição continental do mundo

“Ainda não digo que estamos salvos porque acredito que nunca estaremos suficientemente seguros de que outras equipes não poderão ser capazes de ter sequências semelhantes”, disse Shakespeare após a partida. “Estou no futebol há tempo suficiente para saber que pode acontecer”, acrescentou. O treinador do Leicester não quis valorizar essa sequência recorde de triunfos, que se amplia a seis partidas com a vitória contra o Sevilla, no jogo de volta das oitavas da Champions, e que colocou pela primeira vez nos 133 anos de história do clube a equipe nas quartas de final de uma competição internacional.

Slimani marca de pênalti o primeiro gol no Sunderland. ampliar foto
Slimani marca de pênalti o primeiro gol no Sunderland. REUTERS

Desde a mudança de treinador, os Foxes derrotaram no King Power Stadium o Liverpool, Hull, Stoke City e Sunderland, além do Sevilla e o West Ham como visitantes, o que lhes permitiu subir até o décimo lugar da classificação, e com 36 pontos estão a nove da zona de rebaixamento. “Precisamos nos assegurar em manter a concentração e nos preparar para a partida de domingo contra o Everton, porque esse será outro grande teste para nós”, disse Shakespeare. Um dos beneficiados do ‘efeito Shakespeare’ é seu principal atacante, Jamie Vardy. O inglês tem quatro gols nas últimas quatro rodadas enquanto nas 32 partidas disputadas com Ranieri só marcou seis.

O Leicester City enfrentará o Atlético de Madrid no Vicente Calderón no próximo dia 12 de abril, e tentará se classificar na eliminatória europeia seis dias depois na Inglaterra. A sequência de vitórias com Shakespeare não para de crescer e a equipe volta a esbanjar esse espírito sonhador que encantou a Europa. Ainda que a história dos Foxes já tenha demonstrado sua fraqueza pelos vaivéns.

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