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Dia dos Pais, mas que tipo de pais?

Inventada nos Estados Unidos há mais de cem anos, a comemoração deveria se adaptar às novas formas de família

Día del Padre
Menino prepara o seu presente do Dia dos Pais.

Muitas pessoas cresceram pensando que a comemoração do Dia dos Pais era invenção de alguma loja de departamentos com o objetivo de aumentar as vendas. Foi a norte-americana Sonora Smart Dodd – bendito Google – que inventou essa festa em homenagem ao pai, Henry Jackson Smart, que ficou viúvo quando sua esposa morreu no parto do sexto filho. Foi no início do século XX e o fazendeiro acrescentou ao seu tradicional papel masculino as tarefas na época próprias à condição de mãe, o que fez dele um pai singular e, sem dúvida alguma, muito completo.

Tudo isso aconteceu há mais de 100 anos e parece ter sobrevivido dada a imobilidade da estrutura da família durante muito tempo. Mas o novo e bem-sucedido conceito de unidade familiar deveria provocar uma reflexão sobre a referida festa, ao menos nos países onde há décadas, e assumindo que qualquer generalização é injusta, a figura paterna é associada principalmente ao exercício da autoridade e ao bem-estar econômico e deixou para a mãe o papel de cuidadora carinhosa e organizadora do lar.

Hoje, além das famílias consideradas tradicionais, há famílias com pai e mãe do mesmo sexo e famílias monoparentais. E suas cabeças, todas elas, compartilham o mesmo amor pelos filhos e as mesmas responsabilidades. Não deveríamos rever essa festa – e o Dia das Mães – e torná-la mais inclusiva?

Em 1993, a ONU proclamou o dia 15 de maio como o Dia Internacional das Famílias, uma comemoração que passa completamente despercebida em muitos países. Isso apesar do fato de que sua comemoração – e não o Dia dos Pais ou das Mães – significaria uma nova mensagem de gratidão àqueles que criam, educam e amam seus filhos, independentemente de papéis e sexos.

Na Espanha, segundo os últimos dados da Pesquisa de Lares Familiares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, o número de famílias monoparentais, formadas por apenas um dos progenitores com filhos, já era de quase 1,9 milhão em 2015, o que representa 10% do total e está aumentando. Um dia como o proposto pelas Nações Unidas promoveria a tolerância, eliminaria as barreiras de gênero... e de passagem não faria com que algumas crianças com pais “diferentes”, ou simplesmente sem eles por algum motivo, se sentissem deslocadas nesses dias, quando na escola fazem seus trabalhos manuais para um tipo de pai predeterminado e não para seu círculo familiar, independentemente da sua composição.

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