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Depoimento de Marcelo Odebrecht complica Temer e ministro

Segundo jornal, empreiteiro confirmou repasses milionários via caixa 2 durante a campanha presidencial de 2014

Marcelo Odebrecht, herdeiro do império que leva seu nome e colaborador da Justiça, confirmou na quarta-feira que parte dos 150 milhões de reais pagos para a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014 foram repassados via caixa 2. O empreiteiro, preso desde junho de 2015 pela Operação Lava Jato e condenado a mais de 19 anos de prisão, confirmou que chegou a tratar com o peemedebista, então candidato a vice, o acerto durante um jantar no palácio do Jaburu. Ele negou, no entanto, ter discutido valores com Temer. As informações são do jornal O Estado de São Paulo. Parte do valor pago seria uma contrapartida pela votação de uma medida provisória que beneficiou a Braskem, braço petroquímico da Odebrecht.

Delação Odebrecht lava jato
Marcelo Odebrecht em setembro de 2015. AFP

Odebrecht prestou depoimento em Curitiba na ação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a cassação da chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico. Seus relatos reforçam a tese de que doações ilegais feitas pela empreiteira ajudaram a reeleger a petista e seu vice. Caso o TSE entenda que houve abuso de poder econômico, Temer pode perder seu mandato e Dilma se tornará inelegível. Ainda não há um prazo para que a Corte julgue a ação.

O empreiteiro também afirmou que as tratativas para os pagamentos teriam sido feitas entre o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o executivo Cláudio Melo Filho. O depoimento complica ainda mais a situação de Padilha, que já havia sido citado pelo ex-assessor presidencial José Yunes na semana passada como sendo intermediário nos repasses de propina. Amigo de longa data de Temer, Yunes afirmou que o ministro o usou de “mula” para receber pagamentos irregulares – um pacote de dinheiro foi entregue pelo peemedebista em seu escritório na capital paulista. Padilha está afastado do Governo para realizar uma cirurgia.

O pagamento de caixa 2 para a campanha presidencial já havia sido mencionado por Melo Filho em depoimento que integra seu acordo de delação premiada. Melo Filho mencionou o jantar com Temer no qual o então vice teria pedido uma contribuição de 10 milhões de reais. Em dezembro, após o teor da colaboração do executivo ter sido vazado, o Planalto divulgou nota dizendo que o presidente “repudia com veemência as falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho”. O texto afirmava ainda que as doações feitas pela Odebrecht ao PMDB “foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE. Não houve caixa 2, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente”.

Segundo o empreiteiro, parte do dinheiro pago aos emissários de Temer iria irrigar a campanha do também peemedebista Paulo Skaf para o Governo do Estado de São Paulo.

De acordo com Odebrecht, as primeiras conversas com o Governo do PT ocorreram em 2008. Ele mencionou também um encontro com Dilma no México no qual a presidenta teria dito que os repasses feitos pela Odebrecht ao marqueteiro João Santana estariam comprometidos - Isso porque as offshores utilizadas pelo publicitário teriam sido irrigadas com dinheiro de propina. Em nota a assessoria da ex-presidenta negou qualquer irregularidade, e afirmou que "as doações às campanhas de Dilma Rousseff foram feitas de acordo com a legislação".

Sem entrar em detalhes, Marcelo também afirmou que as campanhas presidenciais de Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (Rede) também receberam recursos de caixa 2 da construtora. Outros executivos da Odebrecht que também firmaram acordo de delação premiada irão depor na ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, entre eles Melo Filho e o ex-diretor Alexandrino de Salles Ramos.

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