Copa do Rei

Alavés derrota o Celta, avança à final da Copa do Rei e entra para a história

Um gol de Edgar Méndez classifica o time basco à decisão contra o Barcelona

Edgar supera Sergio Gómez no gol do Alavés.
Edgar supera Sergio Gómez no gol do Alavés.VINCENT WEST (REUTERS)

Edgar, o reserva, o solucionador, o abridor de latas de Pellegrino, o galopante – entrou em campo, marcou, se machucou e saiu. Não há como fazer mais do que isso em apenas 10 minutos. Não há como entrar para a história com um passo mais bem dado, com melhor pé, com maior acerto. Edgar Méndez marcou o gol que leva o Alavés à primeira final de Copa do Rei da sua história, premiando o melhor posicionamento tático, a maior ambição e vontade dessa equipe diante de um Celta amedrontado, desconcertado e só reconhecível em alguns momentos do primeiro tempo. Como nos romances de suspense, nada era o que parecia. Nem o Alavés queria tanto a bola como dava a impressão no início da partida, nem o Celta a desprezava tanto como sugeriam os sucessivos chutões.

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Enredos desse tipo sempre apresentam inícios contraditórios. Porque, na verdade, quem queria a bola era o Celta, e quem a botava para cima era o Alavés, como se a calma de um enfrentasse a pressa do outro por chegar a bom porto. O Alavés ignorava Llorente, entregando a Laguardia a missão de aproximar a bola da área e de Deyverson, e o Celta não passava nem uma vez sem que Marcelo Díaz manejasse o semáforo do jogo e o rumo da bola. Estilos contrapostos, propostas antagônicas. Mais reconhecível o Celta, depois do sufoco dos primeiros dez minutos, que o Alavés, mais dado à voragem, como se quisesse afogar o rival em seu próprio suor para depois gelá-lo com um calafrio. Ibai Gómez chegou em duas ocasiões: na primeira, Toquero, embaixo do gol, não alcançou a bola por questão de centímetros; a segunda foi numa cobrança de falta que acariciou o travessão como cabe à luva da sua chuteira direita. Fora isso, o Alavés no primeiro tempo se limitou a suar, correr, recuperar e a anular a capacidade de surpresa da Camarasa, um artista do escapismo entre os zagueiros. Deyverson ficou condenado a correr e saltar no deserto.

O Celta foi ressuscitado por Iago Aspas, um jogador que precisa de apenas dez centímetros e um décimo de segundo para desenhar um chute, um gol. Aos 10 minutos cumpriu sua primeira missão e exigiu que o goleiro Pacheco se valesse do seu excelente reflexo para acariciar a bola o suficiente para desviá-la. Depois mudou de registro e lhe mandou uma bomba que sobressaltou o coração do goleiro alavesista. Difícil saber quem era o protagonista do romance, quem era o detetive que desenredaria a trama, quem era o culpado. Todos tinham pinta de boa gente.

O jogo aberto não caía nem bem nem mal ao Alavés à espera da bola parada de Ibai Gómez, das investidas de Theo e Femenía, da força de Llorente e o incansável Manu García. Lutando e lutando no afã de pressionar o Celta e jogá-lo contra a parede. O Celta, após o intervalo, voltou a se encolher, com seu meio de campo inoperante, varrido quando aparecia Llorente e decidiu realizar suas próprias recuperações. Eram dois contra três, mas pareciam quatro contra dois. Agora sim era um Alavés familiar. E apareceram as chances e uh! de Vitoria e ah! de Vigo quando Ibai Gómez livre chutou de direita nos braços de Sergio. Ganhou o goleiro. Com Deyverson não precisou fazer nenhum esforço porque o brasileiro, cansado, chutou a bola para fora.

A ideia de cansar o Celta, especialmente seus zagueiros centrais com o fogo aéreo, surtiu efeito. A equipe de Berizzo fraquejou na retaguarda da mesma forma que o meio de campo se escondia na obscuridade. Iago Aspas era o náufrago do Celta, Bongonda o desaparecido, Weiss o sacrificado em trabalhos defensivos, diante do temor pelo temporal de Theo. Era o guarda-chuva de Berizzo, mas não impediu a goteira. Com o Celta cansado (o descanso de domingo não foi notado), os laterais cresceram demais, assim como o Celta diminuía.

E quis o destino que a varinha mágica escolhesse Edgar Méndez que três minutos após entrar em campo aproveitou outro chuveirinho de Camarasa em outra bola longa e alta para vencer seu marcador, fintar seu oponente e bater Sérgio. A porta da história foi aberta pelo jogador das Ilhas Canárias, o abridor de latas habitual de Pellegrino quando a imagem habitual de cansaço de Toquero se transforma em cansaço verdadeiro. O Celta partiu para o desespero no tempo que restava (incluindo um acréscimo de sete minutos) para fechar a porta da história ao Alavés. Mas seu vendaval foi insuficiente. Camarasa poderia até ter aumentado quando já não restavam unhas no Estádio Mendizorroza. Definitivamente, o Alavés deu um passo de gigante, que o leva à final, contra o Barcelona, ainda sem local definido.

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