Copa do Rei

Messi redime o pior Barcelona e catalães vão à final da Copa do Rei

Barça sofreu com um animado Atleti e esteve perto de ser eliminado em casa

Savic cabeceia na frente de Cillessen.
Savic cabeceia na frente de Cillessen.Andreu Dalmau (EFE)

O Atlético de Madrid torturou o Barça no Camp Nou. Os catalães viveram um inferno, submetidos a um sofrimento contínuo, aliviados apenas por Messi. O argentino joga por 10 contra 11, carta na manga de sua equipe na riqueza e na miséria, protagonista de uma partida atormentada para os catalães, que chegam pela quarta vez consecutiva à final da Copa do Rei. O argentino surgiu e fez a diferença com uma grande jogada em um confronto tenso e passional, digno de uma semifinal desse torneio, que acabou aos trancos e barrancos: Luis Suárez e Sergi Roberto foram expulsos de um lado, e Carrasco, do outro.

O Camp Nou estremeceu antes e depois de o argentino fazer o lançamento canhoto e propiciar o gol de Luis Suárez. Fazia tempo que não se via uma equipe do Barça tão temerosa, errática e sofrida; tampouco se recordava uma versão mais atrevida do Atlético. A diferença foi Messi. Os madrilenhos não arremataram seu bom jogo e quando encontraram a meta toparam com um excelente Cillessen, um gol de Griezmann mal anulado e um pênalti perdido por Gameiro. A fatalidade atlética continuou mesmo depois de o atacante francês se refazer e marcar, assistido por Griezmann.

O Atlético levou o Barça a uma situação limite desde que Simeone anunciou uma escalação tão surpreendente como a de Luis Enrique. O técnico deu sequência à segunda parte da partida no estádio Vicente Calderón e apostou em uma equipe muito ofensiva, cheia de atacantes e com dois volantes centrais que jogam sem retrovisor: Saúl e Koke. À afronta dos madrilenhos, produto da autoestima e da obrigação do Atleti de ganhar por causa da derrota por 2-1 na partida de ida, o técnico do Barcelona respondeu com uma equipe sem um meio-de-campo, relegados à assistência Mascherano e Busquets, e Arda no ataque como substituto do sancionado Neymar.

Simeone quis saber desde a necessidade até que ponto era certa a vulnerabilidade do Barcelona, uma equipe insegura, permeável no meio de campo e incapaz de transmitir autoridade e confiança aos rivais e a sua própria torcida, mesmo depois de sua vitória em Madri. Aberto nas laterais por Gaitán e Carrasco, o Atlético enquadrou o Barça de saída com Torres e Griezmann. A partir de quatro zagueiros e praticamente seis atacantes, os madrilenhos funcionavam tão bem na pressão quanto nas transições, como foi possível notar em ummano a manode Carrasco com Cillessen, bem resolvido pelo goleiro do Barcelona.

A partida se transformou em um diálogo do Atlético com o goleiro Cillessen. A bola ou estava nas mãos do goleiro dos catalães ou com os rapazes de Simeone. Os pontas do Barça não entravam no jogo, especialmente Denis Suárez, fora de sintonia, nem Messi aparecia. Mal posicionados e sem mando do meio-campo, os erros individuais eram contínuos entre os jogadores do Barcelona. Ninguém finalizava uma jogada e as muitas perdidas possibilitavam as chegadas constantes do Atlético. O Barcelona era uma gelatina em um Camp Nou semi-vazio.

O monólogo do Atlético durou mais de meia hora e se não acabou em gol foi por causa de Cillessen e pela falta de pegada da equipe, recorrente durante toda a temporada e também no Camp Nou. O problema dos madrilenhos não era o futebol, mas sim o fato de estar em desvantagem de um gol, uma sorte para o Barça. Os catalães não estavam em seu melhor dia, e acabaram presas dos nervos, nada refinados, muito medrosos, negados pelo Atlético. Com exceção de André Gomes, retraído em seu campo e alegre na área oposta, nenhum jogador do Barça assumiu riscos nem deu saída de bola. Até que o português se conectou com Messi. O número 10 agarrou a bola, começou a descontar rivais com sua rápida condução, até que conseguiu armar seu pé canhoto e exigir a apurada intervenção de Moyá, arqueiro colchonero. No rebote, diante do goleiro apareceu o artilheiro Luis Suárez: 1-0.

No entanto, a capacidade dos catalães para complicar sua vida e se deixar levar pelas circunstâncias é inesgotável, com ou sem Messi, inclusive com Busquets e Iniesta. O Barcelona deixou que o Atlético entrasse na partida com a expulsão de Sergi Roberto quando Gaitán e Godín se machucaram. O time da casa passou por maus bocados enquanto o Atlético respondeu ao cartão vermelho dado a Carrasco. O Atlético foi também melhor equipe no 10 contra 10 e se não forçou a prorrogação foi por um triz, agonizando e entregue como estava o Barça, que ainda viu o gol de empate, marcado por Gameiro, e Suárez expulso. Mas, mesmo com a pressão colchonera, o time catalão acaba finalista da Copa depois de pedir a conta e rogar a todos os santos, redimido por Messi.

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