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Diretor iraniano não irá ao Oscar mesmo que lhe permitam viajar para os EUA

Asghar Farhadi, indicado ao prêmio de melhor filme estrangeiro, condena as “condições injustas” impostas pelas medidas de Trump contra a imigração

Asghar Farhadi, em outubro, na apresentação de 'O Apartamento', em Paris.
Asghar Farhadi, em outubro, na apresentação de 'O Apartamento', em Paris. AP

O director iraniano Asghar Farhadi, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro por O Apartamento, não comparecerá à cerimônia de entrega dos prêmios em Los Angeles, mesmo que se abra uma exceção que lhe permita contornar as medidas contra a imigração impostas pelo presidente Donald Trump e possa entrar nos Estados Unidos. Em um comunicado publicado por The New York Times, o cineasta anunciou sua decisão de não ir, apesar de em principio ter contemplado a possibilidade de comparecer.

"Humilhar uma nação com o pretexto de manter a segurança de outra não é um fenômeno novo na história e sempre sentou as bases para a criação de divisões e inimizades futuras”, afirma Farhadi em sua mensagem. “Expresso minha condenação às condições injustas impostas a alguns de meus comaptriotas e aos cidadãos dos outros seis países que tentam entrar legalmente nos Estados Unidos, e espero que a situação atual não dê lugar a uma maior divisão entre as nações.”

A atriz protagonista de O Apartamento, Taraneh Alidoosti, já anunciou sua intenção de boicotar a cerimônia do Oscar precisamente por causa do fechamento de fronteiras aprovado por Trump, medida que ela considera “racista”.

O Apartamento é considerado um dos principais favoritos ao prêmio de melhor filme de língua não inglesa, ao lado do alemão Toni Erdmann. Ambos competem com o dinamarquês Terra de Minas, o australiano Tanna e o sueco A Man Called Ove. Farhadi já ganhou um Oscar de melhor filme de língua não inglesa com A Separação, em 2012.

A Academia de Hollywood divulgou neste domingo um comunicado no qual tachou de “extremamente alarmante” a ordem anti-imigração dos Estados Unidos. “A Academia celebra as conquistas na arte cinematográfica, que buscam transcender fronteiras e se dirigir aos espectadores de todo o mundo, independentemente de suas nacionalidades, etnias ou diferenças religiosas”, afirmou a entidade.

"Como defensores dos cineastas, e dos direitos humanos de todas as pessoas, em todo o mundo, consideramos extremamente alarmante que se possa negar a entrada no país de Asghar Farhadi, diretor do filme iraniano A Separação, ganhador do Oscar, bem como o elenco e a equipe técnica do filme indicado este ano, O Apartamento, por sua religião ou a de seu país de origem”, acrescentou a instituição.

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