EVERNOTE

Você usa Evernote? Qualquer funcionário da empresa poderá ver suas anotações

Atualização da política de privacidade da empresa provoca a polêmica

O aplicativo para celular Evernote
O aplicativo para celular EvernoteWikipedia

As últimas decisões do Evernote, o popular aplicativo de bloco de notas na nuvem, geraram polêmica. A primeira começou no início do ano, quando a empresa decidiu mudar seu plano de preços, obrigando muitos usuários da versão gratuita a passar pelo caixa, algo que não caiu nada bem, considerando a existência de rivais com versões completamente gratuitas, como o OneNote. Nesta quinta-feira, além disso, foi divulgada uma nova política de privacidade na qual a empresa dá carta branca a seus funcionários para verificar à vontade as anotações de qualquer usuário.

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Os usuários do serviço devem ter recebido um e-mail nos últimos dias da empresa do logotipo do elefante com o assunto “próximas mudanças na política de privacidade”, a clássica mensagem com letra miúda que a grande maioria descartará, mas que esconde entre seus parágrafos uma controversa decisão. O extenso texto com as novas condições que entrarão em vigor em 23 de janeiro não parece inicialmente ameaçador para os mais zelosos de sua privacidade, mas a coisa muda quando se avança na leitura do documento. Sob a inscrição “os funcionários do Evernote têm acesso ou revisam meus dados?”, a empresa explica que os funcionários do Evernote podem ter acesso à vontade ao conteúdo de nosso arquivo.

Apesar de a empresa descrever essa possibilidade como “em “circunstâncias limitadas”, a verdade é que ao aceitar estas condições damos permissão aos funcionários da empresa para ter acesso às nossas anotações, fotografias e tudo o que tenhamos armazenado com base em pressupostos tão vagos como “manter e melhorar o serviço” ou proteger as contas “contra possível spam, malware ou outros problemas de segurança”. Em outras palavras, o usuário não está consciente em nenhum momento de quando qualquer funcionário da empresa está acessando sua informação amparado em qualquer dessas duas premissas nas quais não é necessário o aval da autoridade nem, o que é certo, do próprio titular.

O usuário não está ciente em nenhum momento de quanto qualquer funcionário da empresa está acessando sua informação

No entanto, no Evernote especificam em suas perguntas e respostas que a empresa limita “estritamente o número de funcionários do Evernote que têm acesso aos dados dos usuários” e que em qualquer caso esses funcionários “estão sujeitos a comprovações de antecedentes e recebem uma formação específica sobre segurança e privacidade”. O Evernote afirma também que os usuários “não podem impedir que os funcionários consultem seu conteúdo pelos motivos indicados em nossa política de privacidade”. Dito de outra forma, ou as novas condições são acatadas ou deverão deixar de usar o serviço, para o que dão detalhadas instruções no parágrafo seguinte.

Chris O'Neill, CEO do Evernote, reconheceu em uma nota enviada à mídia que a mudança nas condições foi comunicada “de um jeito muito pobre” e que isso deu lugar a “uma confusão compreensível”. O’Neill insiste em que o acesso aos dados por parte dos funcionários se dá em um número “muito reduzido” de ocasiões e por um número muito limitado de funcionários que ele “pessoalmente” seleciona.

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