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Trump não irá investigar Hillary Clinton quando assumir Presidência

Durante a campanha, o republicano havia dito que poderia “levar à cadeia” a sua concorrente

Hillary Clinton, durante um evento em Washington em 16 de novembro.
Hillary Clinton, durante um evento em Washington em 16 de novembro. REUTERS

Quando chegar à Casa Branca, em janeiro, o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, não indicará um promotor especial para investigar a candidata democrata Hillary Clinton por conta do escândalo dos correios eletrônicos ou da Fundação Clinton, nem procurará fazer com que ela seja julgada ou até mesmo presa em decorrência desses casos, tal como havia prometido fazer na campanha. Esse posicionamento foi confirmado por uma de suas assessoras mais próximas, que foi também coordenadora de sua campanha, Kellyane Conway, à rede MSNBC, à qual declarou que Trump tem coisas mais importantes às quais se dedicar quando ocupar o Salão Oval.

“Acredito que quando o presidente eleito, que é também o chefe do seu partido, diz na sua frente, antes mesmo de assumir a presidência, que não tem a intenção de dar sequência a essas acusações, isso significa uma mensagem bastante forte, um tom de contenção, para os membros do Partido Republicano", disse Conway. Uma mensagem direta para os republicanos do Congresso que também haviam defendido que se fosse adiante nas investigações que pesaram sobre a campanha da democrata, apesar de o FBI tê-la isentado de culpa em duas oportunidades.

Em especial o uso de um servidor particular durante o período em que era secretária de Estado e o fato de ter apagado mais de 30.000 mensagens eletrônicas constituíram uma arma que Trump utilizou permanentemente contra sua adversária durante o ano e meio de duração da campanha eleitoral. O então candidato republicano foi endurecendebsdo o tom e gostava de ouvir o público gritando “prendam-na, prendam-na” quando ele falava de Clinton em seus comícios. O momento mais tenso ocorreu durante o segundo debate presidencial, em Saint-Louis (Missouri), em outubro, quando ele disse que, se vencesse em 8 de novembro, daria ordem ao promotor geral que indicasse um promotor especial para investigar os correios eletrônicos enviados por Clinton quando era secretária de Estado, entre 2009 e 2013. Quando a candidata democrata reagiu dizendo, por sorte, Trump não era responsável pela legislação, este retrucou: “Porque você estaria presa”. Uma ameaça que lhe valeu algumas críticas por dar a entender que como presidente ele poderia influir em outras esferas de poder, mas que também foi ovacionada por seus apoiadores. Da mesma forma, a sua mudança de opinião, agora, pode ser vista, como observaram vários meios de comunicação nos EUA, como mais uma potencial ingerência do poder legislativa no poder judiciário, já que este último é que deveria decidir, sem influencias externas, se avalia que há ou não um caso a ser encaminhado contra Clinton.

“Ele tem muitas coisas em que pensar enquanto se prepara para ser o presidente dos Estados Unidos e há coisas que tiveram peso na campanha mas não têm mais agora” em sua cabeça, afirmou nesta terça-feira Conway, uma das pessoas mais próximas de Trump na campanha e neste momento de transição e que continua falando em nome dele para os meios de comunicação.

Embora as declarações de Conway constituam até o momento a demonstração mais contundente de que Trump não tem interesse ou intenção de continuar atacando sua ex-concorrente, não é a primeira vez que ele dá mostras de deixar para trás algumas promessas de campanha. Já fez isso no discurso de vitória, quando revelou que havia recebido um telefonema de cumprimentos de Clinton e elogiou a democrata. “Hillary trabalhou durante muito tempo e de forma muito dura e temos para com ela uma grande dívida de gratidão pelos serviços que prestou ao nosso país”, disse o então já presidente eleito naquela ocasião. Em sua primeira entrevista como próximo ocupante da Casa Branca, dada ao programa 60 minutes, da rede CBS, há uma semana, Trump voltou a suavizar suas ameaças ao afirmar que não queria “fazer mal” aos Clinton, pois “são boas pessoas”.

Segundo Conway, “há uma maioria de norte-americanos que continua achando que (Clinton) não é honesta nem confiável”, mas o presidente eleito está disposto a lhe dar uma ajuda. “Se Donald Trump pode ajudar a curar as feridas, então é porque isso talvez seja bom”.

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