Crise na Venezuela

Uma oposição venezuelana dividida começa a negociar com o governo Maduro

Vontade Popular, o partido de Leopoldo López, não compareceu ao encontro por considerar que não existem condições para um acordo na Venezuela

Nicolás Maduro, durante o encontro. MARCO BELLO

A oposição venezuelana se sentou com o Governo para explorar um possível diálogo na Venezuela. O presidente Nicolás Maduro, três delegados do Executivo e quatro representantes da coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) se encontraram no domingo no Museu Alejandro Otero, em Caracas, para acertar alternativas ao crescente conflito político. “Tenho um compromisso total e absoluto nesses processos de paz, estendo minha mão à MUD... Viemos dispostos a escutá-los”, afirmou o mandatário venezuelano.

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O encontro foi mediado pelo enviado especial do Vaticano e uma delegação internacional liderada pelos ex-presidentes José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha), Martín Torrijos (Panamá) e Leonel Fernández (República Dominicana). “Nenhum povo pode resolver suas tensões com a violência”, disse Claudio María Celli, o enviado da Santa Sé.

A MUD não chegou a um consenso sobre o encontro com a situação. Leopoldo López, o principal preso político do Governo venezuelano, ordenou ao seu partido político Vontade Popular que não comparecesse à reunião. “Consideramos que as condições para se iniciar um verdadeiro diálogo não melhoraram: a coleta da assinatura de 20% do eleitorado foi suspensa, aumentou o número de venezuelanos presos por motivos políticos e o regime não demonstrou nenhuma vontade de mudar, especialmente na solução da crise que hoje mantém nosso povo sem alimentos e remédios”, disse o partido político em um comunicado.

Outros 14 partidos da coalizão de oposição também não respaldaram a possibilidade de se abrir um diálogo com a situação. Em um documento divulgado na última sexta-feira acertaram o envio do secretário-geral da MUD, Jesús Chuo Torrealba, para marcar posição sobre os motivos que os afastam do diálogo. O encontro ocorreu a portas fechadas em Caracas.

O crescente conflito

Após a suspensão do referendo revogatório, a oposição lançou uma ofensiva contra o Governo em uma tentativa desesperada de recuperar alternativas democráticas para depor Maduro. A Assembleia Nacional, dominada pela oposição, abriu um julgamento político para destituir o sucessor de Hugo Chávez. Mas a situação se encarregou de bloquear qualquer possibilidade de perder o poder. Há uma semana, o Palácio Legislativo foi invadido por um grupo chavistas quando eram discutidas alternativas para destituir o presidente venezuelano.

Ocorreu uma onda de violência após a suspensão do referendo. Os protestos feitos pela oposição contra a suspensão da coleta de 20% das assinaturas do eleitorado – etapa decisiva no processo revogatório – provocaram mais de uma centena de feridos e 147 presos.

O Governo ameaçou contra-atacar diante da ofensiva da oposição. O vice-presidente Aristóbulo Istúriz convocou os seguidores do chavismo a uma concentração em Caracas com a intenção de criar uma muralha que sirva de obstáculo aos opositores em sua marcha rumo ao palácio presidencial, na quinta-feira. “Iremos esperá-los em Miraflores”, afirmou.