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Bloqueio europeu

A UE deve recuperar o quanto antes a iniciativa em três temas fundamentais: CETA, Síria e Brexit

Os primeiros-ministros da Hungria, Viktor Orban, Grécia, Alexis Tsipras e Itália, Matteo Renzi, conversam com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Bruxelas, na sexta-feira.
Os primeiros-ministros da Hungria, Viktor Orban, Grécia, Alexis Tsipras e Itália, Matteo Renzi, conversam com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Bruxelas, na sexta-feira. EFE

A falta de resultados concretos nos temas mais importantes discutidos na cúpula de Chefes de Estado e de Governo da UE finalizada na sexta-feira em Bruxelas, mostra o momento de desconcerto em que se encontra o projeto europeu, uma situação perigosa da qual convém sair o quanto antes para evitar estar à mercê dos acontecimentos. Para isso é necessário que a UE recupere a iniciativa em várias frentes, assim que possível.

O primeiro obstáculo é a paralisia do tratado de livre comércio com o Canadá (CETA) com a recusa da Valônia, a região de língua francesa da Bélgica, de aceitá-lo, o que pôs em evidência a necessidade urgente de articular mecanismos de tomada de decisões que, levando em conta todos os pontos de vista, impeçam que os interesses – por mais legítimos que sejam – de uma minoria terminem em prejuízo da grande maioria.

O enfrentamento com a Rússia, longe de ter começado a se resolver, continua a piorar cada vez mais. A reunião realizada antes da cúpula entre Angela Merkel e François Hollande com Vladimir Putin para discutir a guerra na Síria terminou sendo estéril, apesar da linguagem dura usada pelo presidente francês e pela chanceler alemã, que chegaram a falar de crimes de guerra. Mas na hora da verdade, em Bruxelas, os líderes europeus evitaram tomar qualquer tipo de medida de pressão concreta – leia-se sanções – e se limitaram a garantir que é uma opção que permanece aberta em caso de que continue o “massacre” de Alepo.

Nessa perspectiva, as negociações para a saída do Reino Unido da UE ameaçam se tornar um exercício de concessões a Londres em troca de quase nada. Theresa May está legitimamente determinada a recorrer a todas as medidas ao seu alcance para conseguir as condições mais favoráveis para seu país enquanto terá um organismo do outro lado que demonstra de forma permanente suas dificuldades para chegar a acordos concretos.

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