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Documentários latinos para ser feliz

A quinta edição do DocTV América Latina traz 17 obras que serão exibidas nas TVs públicas da região

Cena de 'A bailar', documentário da Nicarágua.
Cena de 'A bailar', documentário da Nicarágua.

Uma homenagem aos avós do continente, esta figura que, como uma árvore, sustenta a vida de sua família; o diagnóstico de uma grave doença que se transforma em um retrato íntimo sobre o amor, o tempo e a imortalidade entre irmãs; e a proteção das nascentes de água nos Andes venezuelanos através de ritos ancestrais. Essas são algumas das histórias que fazem parte da quinta edição do DocTV Latinoamérica, uma iniciativa que apresenta 17 documentários da região com transmissões simultâneas em todas as emissoras públicas de televisão.

O que é a felicidade? Sem dúvida, essa pergunta pode ter muitas respostas e interpretações. Para esta versão do DocTV, os cineastas receberam o desafio de criar algo a partir da questão, segundo Consuelo Castillo, coordenadora do programa e que deu a eles a tarefa de “imaginar um continente contado a partir de outro ponto de vista”. “Procurávamos olhares particulares sobre a região e temos histórias sobre a América Latina que tentam ganhar vida própria. São histórias de resistência, de luta, de amor, o que é esse olhar mais interno ao que se chama felicidade”, acrescenta.

Na atual edição, participam Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Guatemala, Equador, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. A programação do DocTV Latinoamérica começou em 29 de agosto. Até agora, duas das 17 produções escolhidas para o festival foram transmitidas pelas emissoras de televisão estatais de cada um dos países participantes – o público brasileiro pode acompanhar a mostra pela TV Brasil. A exibição seguirá até a semana de 19 de dezembro.

Desde seu início, há 10 anos, o DocTV Latinoamérica já investiu cerca de 5 milhões de dólares na produção de documentários na região. Atualmente conta com 58 filmes que já estrearam na rede de retransmissoras até a última edição. No concurso deste ano, foram apresentados 358 projetos de toda a América Latina. Nos critérios de seleção prevaleceram as histórias com “ideias sólidas” e profundidade em relação ao tema escolhido. “Levamos em conta projetos que não só fizeram uma busca profunda do conceito de felicidade, como também que façam uma viagem através de um personagem, de um lugar ou de um momento nas vidas das pessoas”, explica Castillo.

A coordenadora destaca que o DocTV também funciona como uma plataforma para cineastas novatos, que têm mais dificuldades em encontrar espaço para suas obras no circuito comercial. Ela cita o exemplo do mexicano David Pablos, que fez sua estreia com Una frontera, todas las fronteras (Uma fronteira, todas as fronteiras; 2010), na segunda edição do programa. O diretor originário de Tijuana esteve em Cannes no ano passado apresentando Las elegidas (As escolhidas), sua mais recente produção. Outro que fez parte da primeira edição e que Castillo também destaca é o brasileiro Newton Cannito, que exibiu seu documentário Jesus no Mundo Maravilha. Depois disso, ele criou o seriado 9mm, transmitida pela Fox Brasil, e pela qual recebeu o prêmio de melhor programa de teledramaturgia da TV brasileira pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

Os organizadores do DocTV estão cientes de que a televisão não é o único meio de divulgar os filmes. Por isso, a partir deste ano os documentários das edições anteriores estão disponíveis online no site Retina Latina. Castillo afirma que, inicialmente, o catálogo conta com nove produções e que, no futuro, o plano é acrescentar novos títulos. “Atuamos com a certeza de que o documentário é uma ferramenta para nos reconhecermos em nossas culturas e idiossincrasias, e que a integração e o trabalho em equipe são fundamentais para gerar as oportunidades de desenvolvimento que nosso povo exige”, disse Manoel Rangel, secretário-executivo de cinematografia iberoamericana da Conferência de Autoridades Cinematográficas da Iberoamérica.

Apenas na Colômbia, o primeiro dia de exibição de Vogulys, documentário que representa o país na mostra, foi visto por 15.000 pessoas. Castillo espera que o público latino-americano dê seguimento a essas histórias sobre a região. “Espero que as pessoas possam entender que a televisão também é uma janela natural para o documentário e que este esforço em rede é muito importante”, conclui.

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