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Alerta xenófobo

O avanço da extrema-direita na Alemanha não pode ser considerado uma anedota eleitoral em uma região

Simpatizantes do partido populista AfD comemoram os resultados das eleições regionais do domingo.
Simpatizantes do partido populista AfD comemoram os resultados das eleições regionais do domingo.DANIEL BOCKWOLDT (AFP)

O segundo lugar conseguido no domingo pela extrema-direita xenófoba nas eleições do Estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental adquire contornos alarmantes tanto pelas condições nas quais aconteceu quanto pelo seu significado em relação ao futuro imediato do país com mais peso na UE.

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A Alternativa para a Alemanha (AFD), formação populista surgida apenas em 2013 contra os resgates da Grécia e que ganhou novo impulso com a crise migratória, tem muitas probabilidades de se tornar a quarta — ou até mesmo a terceira — força política nas eleições parlamentares do próximo ano. Deste modo, haverá no Bundestag uma importante formação à direita dos democratas-cristãos da CDU e será a primeira vez que isso acontece desde a Segunda Guerra Mundial. Trata-se de uma ameaça evidente para um sistema democrático — apoiado na centro-esquerda pela socialdemocracia do SPD — que facilitou a transformação de um país em ruínas em uma das principais democracias e economias do mundo, que foi capaz de assumir o altíssimo custo em todos os níveis representado pela reunificação e que se tornou a referência fundamental do projeto de paz e prosperidade encarnado pela União Europeia.

A AfD — aproveitando também a rejeição a Angela Merkel entre os eleitores da direita depois de onze anos de gestão — demonstrou no domingo que também pode vencer os democratas-cristãos em algumas áreas do país. Portanto, não é uma anedota, mas uma realidade, que deve ser encarada de forma realista pela classe política alemã.

A Alemanha é um dos principais receptores da imensa onda de refugiados que está chegando à Europa. Além da inestimável, mas pontual, solidariedade dos cidadãos, sua gestão correta é fundamental para evitar que o eleitorado continue sucumbindo aos perigosos cantos de sereia. Os resultados de domingo são um aviso que não pode ser ignorado.

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