Ouro na veia: a conquista de Martine Grael e Kahena Kunze na vela

Dupla brasileira, de uma linhagem de campeões, faz jus a favoritismo e sobe ao mais alto do pódio

Martine e Kahena seguram a bandeira do Brasil no pódio.
Martine e Kahena seguram a bandeira do Brasil no pódio. AFP

Martine Grael e Kahena Kunze ignoraram a pressão de serem favoritas ao ouro. Foram para a água e deram ao Brasil nesta quinta-feira a quarta medalha dourada dos Jogos Olímpicos do Rio. A dupla venceu a regata decisiva da classe 49er FX com um desempenho brilhante do começo ao fim e saíram da Baía de Guanabara carregadas pelos torcedores. A conquista também fez o país superar o número de ouros de Londres 2012, quando a delegação brasileira conseguiu subir três vezes no lugar mais alto do pódio.

O ouro de Martine Grael e Kahena Kunze parecia programado para acontecer. Filhas de velejadores experientes e campeões em suas categorias, as duas vêm de linhagens vencedoras no esporte. O sobrenome de Martine é símbolo de vitória em Jogos Olímpicos. Seu pai, Torben Grael, é coordenador técnico da equipe brasileira e maior medalhista olímpico do Brasil ao lado do também velejador Robert Scheidt, ambos com cinco medalhas. Além do bicampeonato olímpico, Torben tem ainda uma prata e dois bronzes. "[A medalha] da filha é muito mais emocionante. Assistir é para matar do coração. Sou só alegria", disse o ex-atleta à TV Globo logo após a prova, em um barco próximo ao das campeãs. O tio de Martine, Lars, tem duas medalhas de bronze em Jogos. Kahena é filha de Claudio Kunze, campeão mundial júnior na classe Pinguim nos anos 1970.

Ter a família e o apoio de torcedores por perto poderia significar mais pressão na cabeça das meninas, mas elas souberam administrar o fato de estarem em casa. Acostumadas a velejar na Baía de Guanabara, haviam vencido dois eventos-teste realizados antes dos Jogos. A familiaridade com o local foi um ponto a favor para deixarem para trás outras três duplas que disputavam o ouro nesta quinta, mas não foi decisivo, segundo Martine. "Se a gente conhecesse tanto assim a Baía, teríamos vencido por antecipação. Aqui é o nosso jardim, começamos a velejar aqui. Mas todos velejaram de igual para igual, nenhuma equipe sabia mais do que a outra", contou Martine à Globo. O final foi apertadíssimo: a vitória aconteceu com apenas dois segundos de vantagem para dupla da Nova Zelândia, segunda colocada.

Com a medalha, a única no Rio do terceiro esporte que mais deu premiações ao Brasil em Olimpíadas atrás apenas do judô e do vôlei  o país mantém a tradição de subir ao pódio na vela desde 1996, em Atlanta. Medalhistas de ouro no Mundial de 2014, elas já haviam feito história como as primeiras mulheres brasileiras campeãs do mundo na modalidade, e agora repetiram o feito nos Jogos. "Ainda não caiu a ficha da medalha. Esperamos estimular outras meninas. Não só na vela, mas em outros esportes. Estou orgulhosa. Sempre sonhei estar na Olimpíada e representar nosso país. E fomos além", falou Martine, com a medalha de ouro no peito, a oitava da família Grael em Olimpíadas.

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