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COLUNA

O Brasil precisa de um Governo sancionado pelas urnas?

Diante da ameaça do terrorismo, forças políticas deveriam buscar canais institucionais para voltar a unir o país

Urna eletrônica.
Urna eletrônica.

O Brasil pode se tornar um terreno fértil para o terrorismo precisamente porque, até agora, foi sempre virgem diante desse perigo.

Se a Europa, que conhece profundamente os mecanismos e meandros do terrorismo local e internacional, não deixa, apesar disso, de ser colocada de joelhos até por lobos solitários, o Brasil aparece hoje duplamente vulnerável.

Sem experiência política ou policial para combater esse novo monstro que sacode o mundo, com uma população de duzentos milhões de pessoas, estruturas frágeis de serviços de inteligência e um imenso território, rodeado por fronteiras porosas e sem controle, o Brasil poderia ser visto como a nova Meca da nova guerra invisível.

Além disso, nada fragiliza mais um país frente à concupiscência do terrorismo internacional que aparecer política e socialmente dividido. E hoje o Brasil atravessa, sem dúvida, uma turbulência política que se reflete diante da imponderabilidade da realização dos Jogos Olímpicos que, em vez de ser objeto de orgulho nacional, são rejeitados pela maioria da população.

Não que o Brasil esteja sem Governo, ou que suas instituições tenham deixado de funcionar, ou que sua democracia esteja em perigo. Objetivamente, não está, pois até o processo contra Dilma Rousseff está acontecendo sob a mais estreita vigilância do Supremo Tribunal Federal e nem seu partido nem os movimentos sociais tomaram o país de assalto.

No entanto, frente ao novo inimigo invisível do terrorismo internacional e frente à tentação de que sobre esse país estratégico na América Latina possam colocar os olhos os novos monstros da violência, as forças políticas deveriam buscar juntas canais institucionais para devolver o quanto antes maior estabilidade ao país e para unificar a sociedade dividida.

Não será isso que, talvez por intuição, parece derivar do desejo majoritário dos brasileiros de ir às urnas, depois da renúncia de Dilma e Temer, para que delas possa sair uma nova liderança fortalecida pelo voto popular?

Às vezes é a voz do cidadão comum a que melhor sabe intuir e interpretar o que é melhor, em cada momento, para um país.

Ao mundo político cabe analisar, com seriedade e generosidade, essa urgência da sociedade que, diante dos novos perigos que podem estar espreitando o país, prefere sabiamente soluções institucionais, sancionadas pelo voto, do que revoltas e confrontos populares sempre perigosos e imponderáveis para a democracia.

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