Copa América

Messi anuncia que não joga mais pela seleção argentina

Astro argentino diz que a Alviceleste “acabou” para ele após a quarta derrota em finais

Messi, após a derrota na final da Copa América. NICHOLAS KAMM (atlas)

O astro argentino se rendeu. As quatro finais perdidas por Lionel Messi com a camisa alviceleste foram demais para ele. Após uma nova derrota contra o Chile, desta vez valendo o título da Copa América do Centenário, o atacante anunciou sua aposentadoria da seleção ainda na zona mista do estádio MetLife, em Nova Jersey. “A seleção acabou para mim. Não é para mim. Eu tentei, era o que eu mais desejava, e não deu”, afirmou o jogador do Barcelona, que acaba de completar 29 anos. Pouco antes, havia perdido um pênalti na série de tiros livres contra o Chile, após 120 minutos de jogo sem gols. As falhas de Messi, que isolou a sua cobrança, e de Biglia resultaram no segundo título continental consecutivo do Chile, novamente sobre a Argentina, e novamente nos pênaltis.

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A saída de Lionel Messi do time pode não ser algo isolado. “Talvez Messi não seja o único a deixar a seleção. Vários jogadores estão avaliando não continuar”, afirmou Kun Agüero. "Estávamos todos arrasados. Quem sai mais arrasado é o Leo. Foi a vez que pior o vi no vestiário”, acrescentou o atacante do Manchester City, de 28 anos. Mascherano, de 32, com 129 jogos pela seleção (atrás apenas de Javier Zanetti), também está perto de dizer adeus.

Messi perdeu com a Argentina as finais de três edições da Copa América (2007, 2015 e 2016) e uma da Copa do Mundo (2014). E, apesar de ser o artilheiro histórico da seleção, (55 gols), decidiu dar um basta.

O dia já havia começado com rumores de renúncia, mas do técnico Gerardo Martino. Nem o mais pessimista achava que Lionel Messi e a Alviceleste teriam seu divórcio nos Estados Unidos – e, mesmo após o anúncio, o goleiro Sergio Romero e seu amigo Agüero relativizaram as declarações do camisa 10. “Ele disse isso com a cabeça quente”, afirmou Romero. “Um pênalti não muda as coisas”, acrescentou Agüero.

O próprio Messi se mostrava incrédulo. “É difícil fazer uma análise agora. É incrível, mas não há meio. Hoje aconteceu outra vez, e outra vez nos pênaltis. São quatro finais que eu já perdi, três seguidas. A verdade é que é uma pena, mas tem que ser assim: não acontece, tentamos e fomos atrás”, disse Messi.

“É uma tristeza grande, e ainda por cima calhou de eu errar o pênalti. Era muito importante convertê-lo para abrir uma diferença”, lamentou Messi, argumentando também que seu afastamento da seleção “é pelo bem de todos”. “Primeiro por mim, e depois por todos. Tem muita gente que deseja isso, porque não se conforma em chegar às finais e não ganhar, e nós também não nos conformamos. Já tentei demais. Ninguém mais que eu quis ser campeão com a Argentina, e saio sem conseguir”, finalizou o astro.

Quem não renunciou foi o Tata Martino, apesar da nova frustração. “A única coisa que conta é o resultado final”, admitiu o ex-treinador do Barcelona. “A vontade de ganhar era muito grande, e saímos de mãos vazias; a única coisa a fazer é seguir em frente.”

Martino descreveu a terceira derrota consecutiva em finais como uma “decepção”, mas em Buenos Aires os termos usados pela torcida eram mais duros. “Fracasso”, “perdedores” ou, diretamente, “que nem voltem”. Com as palavras muito medidas, sem se exceder nas respostas, o treinador defendeu o elenco: “Os jogadores foram bem, não há muito que recriminá-los. Temos dignidade, trabalhamos honestamente, e então vamos em frente”, orgulhou-se.

Na hora de analisar a partida, Martino disse que “há situações que podem ser explicadas pelo aspecto futebolístico, e outras, digamos, pela sorte. Com relação ao jogo de hoje, acredito que a Argentina devia ter vencido nos 90 minutos e também na prorrogação, e não conseguimos ganhar. A partir daí, eles sabem que o futebol tem este tipo de situação e que precisam seguir em frente, porque fazem isso com muita dignidade; porque da próxima vez, quando precisarem voltar a se encontrar, é preciso vir e fazer. [Os jogadores] representam a seleção, têm orgulho de vestir esta camisa, e com isso começam a encontrar a vontade de renovar as expectativas”.