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Campanha espanhola na Venezuela

Partidos políticos da Espanha se posicionam em relação ao regime bolivariano

Albert Rivera e Lilian Tintori tentaram, sem sucesso, visitar o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que se encontra em prisão domiciliar.
Albert Rivera e Lilian Tintori tentaram, sem sucesso, visitar o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que se encontra em prisão domiciliar.MIGUEL GUTIERREZ (EFE)

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As viagens à Venezuela do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e do líder de Ciudadanos, Albert Rivera, obrigaram os partidos políticos da Espanha a se posicionar frente ao regime bolivariano. As declarações dos líderes das quatro principais forças políticas esclareceram as posições de uns e outros: Partido Popular (PP), Socialistas (PSOE) e Ciudadanos saíram em defesa da democracia e contra a perseguição aos líderes da oposição; o Podemos tem apoiado o regime de Nicolás Maduro, chegando a insinuar que Leopoldo López, preso há vários meses após um julgamento sem garantias e comandado pela Presidência da República da Venezuela, é um golpista.

Fala-se da conveniência de que os políticos tenham viajado a Caracas em plena pré-campanha na Espanha, mas os dois casos são plenamente justificados. Rodríguez Zapatero foi com uma vocação mediadora entre o Governo e a oposição venezuelana; Rivera viajou convidado para participar de uma conferência pelo Parlamento do país. Em ambas as ocasiões as visitas foram respaldadas pela embaixada da Espanha em Caracas. Além disso, não vemos nenhum inconveniente no fato de os candidatos avaliarem o terreno da política externa em um país de claro interesse, além do mais, para os espanhóis.

O importante é o fundo da questão. A Venezuela atravessa uma situação grave o suficiente para se tomar partido de forma clara e inequívoca: depois das eleições legislativas em que os cidadãos deram uma maioria absoluta para a oposição, o presidente Maduro se agarra ao Executivo, auxiliado por um Judiciário controlado por ele e por Forças Armadas, por enquanto, sob o seu controle. Enquanto isso, o país está atolado na pobreza e na insegurança.

Nesse contexto, Mariano Rajoy (em artigo publicado no EL PAÍS), José Luis Rodríguez Zapatero e Albert Rivera (em suas viagens a Caracas) fizeram o que se espera de três líderes que defendem a democracia: denunciar a situação e se se colocar ao lado dos cidadãos que votaram pela mudança e que sofrem as consequências de um regime totalitário que aprisiona dissidentes e levou o povo à ruína.

A recém-criada coalizão espanhola de esquerda (Podemos e IU) tomou o lado de Maduro, como tem feito desde o início. Não se pode esquecer a votação do ano passado no Parlamento Europeu pedindo a libertação dos presos políticos na Venezuela, que foi aprovada com o voto contrário do Podemos, quando seu porta-voz era Pablo Iglesias. O líder do partido quis diferenciar, à época, entre "presos políticos e políticos presos". Seu novo parceiro, Alberto Garzón, chegou a aderir à teoria de Maduro de que Leopoldo López é um golpista, e o própria Iglesias declarou que é preciso respeitar a legalidade.

As posições estão claras. A única dúvida é saber se o Podemos defende o regime bolivariano por convicção (trabalhou para ele durante anos) ou por medo de que uma mudança de postura leve Maduro a explicar quantos milhões seu Governo entregou a este partido para a sua fundação. Isso é algo que precisam esclarecer Iglesias, Monedero e Errejón se realmente acreditam na transparência.