Coalizão Podemos-Esquerda Unida tira o PSOE do segundo lugar

Nova aliança de esquerda consegue tirar os socialistas da segunda posição e abre três pontos de vantagem

Gráfico, em espanhol, com as intenções de voto em cada partido.
Gráfico, em espanhol, com as intenções de voto em cada partido.

A soma de forças pretendida por Pablo Iglesias e Alberto Garzón ao coligar suas respectivas formações parece ter dado certo, segundo a primeira pesquisa pré-eleitoral feita pela Metroscopia em relação ao pleito de 26 de junho.

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Unidos Podemos, sigla sob a qual foi registrada a nova aliança, conseguiria a desejada ultrapassagem sobre o PSOE, caso as eleições fossem realizadas agora. É o que se aponta a pesquisa, que dá à coalizão liderada por Iglesias uma estimativa de 23,2% dos votos. É 1,2 ponto a menos que a soma do que conseguiram separadamente as duas agremiações em 20 de dezembro. Caso confirmado esse resultado, seriam lançadas por terra as previsões que indicavam que a união de duas formações de cultura e organização quase opostas não conseguiria manter os votos obtidos separadamente. Mesmo com a queda percentual, o fato de estarem juntas representaria mais cadeiras que nas eleições passadas. Mas isso poderia ser uma vitória em termos. A imprevisível lei eleitoral espanhola, com sua divisão de restos e com a distribuição irregular de apoios entre as diferentes circunscrições poderia criar o paradoxo do Unidos Podemos obter mais votos que o PSOE e, mesmo assim, menos assentos. Daí viria a batalha pela liderança e a legitimidade para ficar à frente de um pacto.

Alta abstenção

As estimativas de votos calculadas pela Metroscopia se baseiam em uma expectativa de participação de eleitores particularmente baixa: 68%. Isso representa 5 pontos a menos que em 20 de dezembro e 6 a menos que a média histórica desde a democracia. Essa baixa participação, como já indicaram sondagens anteriores, favorece o PP, que tem base mais fiel de eleitores que os demais partidos.

Segundo a pesquisa da Metroscopia, Mariano Rajoy se consolidaria na primeira posição, com apoio de 29,9%, 1,2 ponto a mais do que o obtido nas eleições de dezembro.

O candidato do PP mantém alto índice de aprovação entre seus eleitores. E o que é mais importante: os eleitores do povo, diferentemente do conjunto da população, apoiam majoritariamente o bipartidarismo tradicional. Preferem que o jogo político continue sendo feito com a repartição entre dois grandes partidos, porque assim fica mais fácil a formação de um Governo, mesmo que isso reduza o pluralismo do Parlamento. Sob essa abordagem, mais a alta fidelidade de seu voto, é lógico que respondam positivamente à proposta polarizadora de Rajoy nesta campanha, de luta entre "a sensatez e a moderação" e o "extremismo da esquerda".

O líder socialista Pedro Sánchez tem pela frente uma dura batalha. Não parece que os meses dedicados a negociar a possível formação de um Governo —um investimento no futuro, na pior hipótese, disse um de seus principais assessores— tenham dado frutos. O PSOE recua quase 2 pontos (1,8) em relação ao resultado de 20 de dezembro. Além disso, se vê ultrapassado por seu principal adversário na esquerda. Por enquanto é apenas uma estimativa de voto, mas ela alimenta os fantasmas e temores que atualmente atormentam os socialistas.

Pedro Sánchez busca a solução no centro, o mesmo espaço disputado desde sua origem pelo Ciudadanos. A formação de Albert Rivera parece ser a única que, sem alianças de reforço nem guinadas estratégicas, consegue lucrar com a nova era em que os eleitores exigem diálogo e pactos. Conseguiriam hoje o apoio de 15,5%, ou seja, 1,6 ponto acima de seu resultado em dezembro. São os apoiadores de Rivera, no entanto, os que segundo a pesquisa demonstram mais dúvida a respeito de ir ou não às urnas. O objetivo do partido será, mais uma vez, traduzir em votos as altas expectativas por enquanto presentes apenas nas pesquisas.