OSCAR 2016

“Boicote ao Oscar é racismo contra os brancos”, diz Charlotte Rampling, indicada a melhor atriz

Atriz britânica indicada por '45 anos', opõe-se à ideia de cotas para negros na premiação

Charlotte Rampling em uma cena do filme '45 anos.'
Charlotte Rampling em uma cena do filme '45 anos.'Agatha A. Nitecka (AP)

“Isso é racismo contra os brancos. É difícil saber se é o caso, mas pode ser que os atores negros não merecessem estar na reta final”, afirmou a atriz em entrevista ao canal francês Europe 1.

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"Pode que os atores negros não merecessem estar no reta final"

Charlotte Rampling tampouco se mostrou a favor da criação de cotas para melhorar a representação das minorias entre os finalistas ao Oscar, como propôs o cineasta Spike Lee, que apoia o boicote ao lado de figuras como Will Smith e Jada Pinkett. “Por que classificar as pessoas? Vivemos em países onde somos mais ou menos aceitos... Mas sempre haverá problemas e [gente que diga] ‘ele é menos bonito’, ‘ele é negro demais’, ‘o outro é branco demais’... Por isso é preciso criar milhares de pequenas minorias em todo canto?”, questionou. Quando lhe pediram para precisar sua opinião, Rampling deu por finalizado o assunto com um “no comment” (sem comentários).

Na última semana, atores como George Clooney, Mark Ruffalo e Lupita Nyong’o se mostraram críticos em relação à Academia, enquanto o hashtag #OscarsSoWhite se multiplicava nas redes. A voz de Charlotte Rampling é a primeira que rompe o consenso. A atriz de 69 anos, que ganhou o prêmio melhor atriz no último festival de Berlim, disse que estar “na lista dos indicados [ao Oscar]” já é uma recompensa, pois significa “a entrada no grande clube do cinema que é a Academia”.

A atriz britânica é conhecida na França, onde mora há quase 40 anos, por suas posturas conservadoras. Em 2007, apoiou a candidatura de Nicolas Sarkozy e compareceu de surpresa a um de seus comícios. Pouco depois, contudo, afirmou que continuava sentindo “afinidade pela esquerda”. Se ganhar o prêmio, Charlotte Rampling disse que o dedicaria ao marido, o jornalista Jean-Noël Tassez, morto em outubro após ter sido confidente de François Mitterrand e do próprio Sarkozy.

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