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Spike Lee não vai à entrega do Oscar

Jada Pinkett Smith e o diretor não irão à cerimônia pela falta de diversidade entre indicados

Jada Pinkett e seu marido Will Smith, na entrega dos Globos de Ouro dia 10 de janeiro.
Jada Pinkett e seu marido Will Smith, na entrega dos Globos de Ouro dia 10 de janeiro.Jordan Strauss (AP)

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No dia de Martin Luther King Jr., feriado nacional nos EUA para comemorar o nascimento do líder da luta pelos direitos civis, um debate aconteceu nos meios de comunicação e redes sociais do país: o Oscar volta a ser muito branco? E uma foto que se tornou viral acompanhava a hashtag #Oscarssowhite: os 20 atores e atrizes indicados nas quatro categorias, todos brancos. Uma imagem que se repete pelo segundo ano consecutivo.

O diretor Spike Lee e a atriz Jada Pinkett Smith aproveitaram a data tão importante para anunciar no Twitter que não vão comparecer à cerimônia de entrega do Oscar, em 28 de fevereiro. “A Academia tem o direito de reconhecer quem quiser e convidar quem quiser”, diz em um vídeo no Facebook a esposa de Will Smith, um dos atores que aparecia entre os possíveis indicados por seu papel em Um Homem entre Gigantes.

“Deixemos a Academia fazer o que quiser, com amor e elegância. E vamos fazer algo diferente”, continuou, terminando com uma mensagem direta a Chris Rock, o apresentador do prêmio: “Eu não vou e não vou assistir, mas não consigo pensar em ninguém melhor para fazer este trabalho”. Rock também aludiu à falta de diversidade em seu Twitter, e o ator Don Cheadle respondeu: “Venha me ver no Oscar. Eles me colocaram estacionando carros no nível G”. E é de se esperar que seja um tema importante em sua apresentação.

“Para mim, a batalha ‘real’ não está na cerimônia da Academia, mas nos escritórios de direção dos estúdios de Hollywood, nas redes de televisão e de cabo”, escreveu Spike Lee em seu Instagram, um texto que começava agradecendo o Oscar honorífico que recebeu em novembro, e comemorando o trabalho de Chris Rock, o produtor da apresentação, Reggie Hudlin; e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs. Os três afro-americanos.

Cheryl Boone Isaacs foi precisamente a primeira a lamentar a falta de diversidade, mais uma vez, entre os indicados, mas pediu “paciência” pois sua organização está lutando para mudar isso com um plano de compromisso de cinco anos assinado com os estúdios, a contratação de Chris Rock e inclusão de pessoas de outras raças entre os votantes (23% dos novos membros) e na diretoria, como Ava DuVernay, diretora de Selma: Uma Luta pela Igualdade, que catapultou o debate sobre o predomínio branco no ano passado.

No entanto, apesar desses esforços, a Academia continua a ser predominantemente branca (93% em 2013) e continuará assim porque são membros vitalícios. “Em 2016 é uma absoluta vergonha dizer que o topo das conquistas cinematográficas foi alcançado exclusivamente por pessoas brancas”, escreveu no Facebook Will Packer, produtor de um dos filmes cuja falta entre os indicados foi mais sentida, Straight Outta Compton: A História do N.W.A.. Na verdade, só roteiristas brancos foram indicados. A mesma coisa aconteceu com Creed: Nascido para Lutar, onde só Sylvester Stallone foi reconhecido. E também reclamam o esquecimento de Will Smith, Idris Elba e Benicio del Toro. April Reign, criadora de #Oscarssowhite, anunciou nesta segunda-feira uma programação alternativa ao Oscar.

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