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As cinco reivindicações do Oscar

A igualdade entre homens e mulheres, o racismo e a imigração foram lembrados na festa

Patricia Arquette ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por ‘Boyhood’.
Patricia Arquette ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por ‘Boyhood’.Robyn Beck (AFP)

A cerimônia de entrega dos prêmios Oscar deste ano foi especialmente reivindicativa, incluindo mensagens a favor da igualdade entre homens e mulheres, pelo respeito aos imigrantes e contra o racismo, entre outros pontos. Isto aconteceu depois das críticas às candidaturas desta edição serem pouco diversificadas, o que serviu para que o apresentador, Neil Patrick Harris, até fizesse uma piada a respeito.

“Hoje homenageamos os melhores e mais brancos, quero dizer, mais brilhantes de Hollywood.”

Aqui apresentamos os cinco momentos mais reivindicativos (e inspiradores) do prêmio.

1. Patricia Arquette pede igualdade de direitos para as mulheres

Um dos momentos mais comentados da festa foi o discurso de Patricia Arquette que, depois de agradecer o Oscar como melhor atriz coadjuvante por Boyhood, dedicou o prêmio a “cada mulher que deu a luz a cada contribuinte e cidadão desta nação. Lutamos pela igualdade de direitos de todo mundo. É nosso momento para conseguir igualdade de salários de uma vez por todas, e igualdade de direitos para as mulheres dos Estados Unidos da América”.

O discurso foi recebido assim por Meryl Streep:

2. Pergunte-me mais

Tal como foi mostrado pelo site Vox, as mulheres só interpretam 15% dos papeis protagonistas e 30% dos papeis com texto. E além disso, em festas como o Oscar, são obrigadas a responder perguntas sobre seus vestidos e penteados, e não tanto sobre seus papéis. Para deixar mais evidente este fato, a organização The Representation Project lançou a campanha #AskHerMore (Pergunte mais a ela).

Uma das pessoas que apoiou a iniciativa foi Reeese Witherspoon, que publicou em sua conta de Instagram esta imagem na qual são propostas algumas das perguntas que os jornalistas poderiam fazer às atrizes, em lugar de fazer referência a seus estilistas favoritos: “Qual é o maior risco que você correu e que valeu a pena? De qual conquista está mais orgulhosa? Como os diretores e personagens podem realizar mudanças no mundo? Se pudesse interpretar qualquer personagem de qualquer filme, qual seria? Qual é seu programa ou série de televisão favorito?”.

Uma foto publicada por Reese Witherspoon (@reesewitherspoon) em 22 de Fev de 2015 à(s) 11h05 horário de Los Angeles

3. Iñárritu e a imigração

“Quem deu a este safado seu visto de residência?”, brincou Sean Penn quando anunciou o Oscar de melhor filme para Birdman, que também ganhou o prêmio de melhor diretor, roteiro original e fotografia. O diretor, Alejandro González Iñárritu, acrescentou que “talvez no ano que vem o governo comece a impor algumas regras de imigração à Academia. Dois mexicanos seguidos. Isso é suspeito, imagino”, em referência ao Oscar de melhor diretor que Alfonso Cuarón ganhou no ano passado pelo filme Gravidade.

Iñárritu encerrou seu discurso dedicando o prêmio a seus “compatriotas mexicanos. Aos que vivem no México: rezo para que possamos encontrar e construir o governo que merecemos. E aos que vivem neste país, que fazem parte da mais recente geração de imigrantes: só espero que sejam tratados com a mesma dignidade e respeito que receberam aqueles que chegaram antes e construíram esta incrível nação de imigrantes.”

4. Selma e o racismo

John Legend ganhou o Oscar de melhor canção por Glory, do filme Selma, que narra a marcha de Martin Luther King de Selma a Montgomery em 1965, reclamando igualdade de direitos.

Legend disse durante seu discurso de agradecimento que “Selma é agora”. E acrescentou: “Sabemos que a lei de direito ao voto pela qual lutaram há 50 anos está em perigo atualmente e neste país. Sabemos que hoje em dia a luta por liberdade e justiça é real: vivemos no país mais com mais presos do mundo. Há mais homens negros em prisões hoje em dia do que escravos em 1850. Quando as pessoas marcham com nossa canção queremos dizer que estamos com vocês, que os vemos, amamos e continuamos em frente”.

E o dado é correto, segundo (de novo) o site Vox, que cita Politifact: em 1850 havia 872.924 escravos homens negros com mais de 16 anos, enquanto que em 2013 havia 1,68 milhão de homens negros em prisões estaduais e federais, ou em liberdade condicional.

5. Continue sendo diferente

Graham Moore levou o Oscar de melhor roteiro adaptado por The Imitation Game, filme que narra a vida de Alan Turing. O matemático que ajudou a ganhar a II Guerra Mundial depois de decifrar os códigos dos nazistas se suicidou em 1954, dois anos depois de ser condenado por ser homossexual e ser submetido a um tratamento de castração química.

Ao receber seu prêmio, o roteirista explicou que tinha tentado se suicidar “quando tinha 16 anos e agora estou aqui. Gostaria que este momento fosse para esse jovem que sente que não se encaixa em nenhuma parte. Sim, você encaixa. Continue sendo estranho. Continue sendo diferente, e quando for sua vez e você estiver de pé no palco, por favor, passe essa mensagem adiante”.

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