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Como disfarçar a careca sem passar ridículo

Todos os truques para tampar cocurutos, entradas e outras tragédias capilares

Calma, há jeitos menos chamativos de dissimular uma careca.
Calma, há jeitos menos chamativos de dissimular uma careca. (Getty)

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Para nos dar uma mão (e um pente), contamos com alguns estilistas capilares capazes de deixar até um sapo com uma bela juba. O primeiro é Xavi García, diretor criativo do Salon44, que aconselha, antes de mais nada, “ir a um especialista para ver se o problema tem solução e cogitar opções de tratamento em função da causa, que pode ser estresse, genética, medicação ou muitas outras. Se não houver remédio, é preciso tirar proveito disso para uma estética nova, e aí entramos nós, os estilistas capilares”.

Nosso segundo assessor é Quique Carballo, que comanda os salões Luis & Tachi, com duas unidades em Madri. Este hábil cabeleireiro, que coerentemente ostenta o crânio todo rapado, defende “soluções a golpe de tesoura ou barbeador elétrico, porque as perucas atualmente só são usadas por senhores com mais de 60 anos”. Ele define essa mudança de paradigma capilar com uma frase lapidar: “Antes ver um careca era como ver um extraterrestre, hoje é até tendência”.

Quando chegam as primeiras entradas

Esse primeiro grau de calvície é o mais simples de ocultar. Quique Carballo recomenda, se restar algo da cabeleira, “deixar crescer a franja, ou o cabelo um pouquinho mais comprido na zona superior do que no resto, para dissimular as entradas”. Esta solução é ideal para cabelos lisos e manejáveis, que podem ser moldados facilmente e fazem com que até Frankenstein possa disfarçar o testão.

Para jubas mais rebeldes, Xavi García propõe outra estratégia sábia: “Se você quer dissimular suas entradas, os cabelos irregulares com movimento ajudam a que não se note tanto a carência de cabelo”. Para isso, é preciso deixar o cabelo um pouco comprido e remexê-lo. Desse jeito, a atenção de quem olha é desviada para o rosto, deixando a moldura capilar em segundo plano… e as entradas à sombra.

Quando há pouco cabelo

Elton John já tinha a cabeleira bem despovoada em 1976, como se vê neste show. E um belo dia apareceu com uma linda peruca que nunca mais tirou.
Elton John já tinha a cabeleira bem despovoada em 1976, como se vê neste show. E um belo dia apareceu com uma linda peruca que nunca mais tirou. (Getty)

Se o tipo de alopecia que o afeta causa uma escassez geral e progressiva de cabelo, Xavi García aconselha “usá-lo o mais curto possível. Desse jeito, por um lado se dissimula a falta de volume, e por outro você irá aceitando seu problema de calvície. Pode ajudar muito pensar em ícones masculinos como Jude Law, John Malkovich e Zidane. São três exemplos de que é melhor tirar proveito do que temos de bom em vez de tentar esconder ou dissimular aquilo de que não gostamos”. Deixar crescer o cabelo moderadamente para arrumá-lo depois em camadas curtas também é uma solução eficaz, pois as camadas conferem volume e movimento à cabeleira.

Quando há calvície no cocuruto

Em princípio, esta variante de alopecia não se nota pela frente, apenas pelas costas. Para evitar isso, a opção mais óbvia é tampar o cocuruto com o cabelo do resto da cabeça, penteando para trás, por exemplo; mas é uma solução efêmera, que pode ser destruída com uma rajada de vento traiçoeira. Xavi García solucionaria isso “com um bom corte". E acrescenta: “Ao cortar mais as laterais, a nuca despovoada fica um pouco dissimulada, porque compensamos os volumes”.

Quique Carballo observa que “existem fibras de cabelo natural que, aplicadas no cabelo, dissimulam muito bem, porque se misturam com o cabelo que o cliente tem e tampam a pele; mas é um arranjo temporário, que costuma ser usado em ocasiões especiais”.

Ao invés de se envergonhar da sua careca, o ator Yul Brynner a exibia com orgulho.
Ao invés de se envergonhar da sua careca, o ator Yul Brynner a exibia com orgulho. (Cordon)

Quando sua alopecia já está muito avançada

Segundo Xavi García, para calvícies de terceiro grau seu conselho é “utilizar produtos sem brilho e que deem volume, em nenhum caso gel, que dá a aparência de menos quantidade. Mas nesses casos o melhor é aceitar a calvície e raspar com máquina, adotando uma nova estética. Por exemplo, "um homem com a cabeça raspada e barba pode ser muito interessante”.

Quique Carballo também é partidário de tosquiar a cabeça e ostentar a calvície com naturalidade, mas não de sanear o couro cabeludo, como se costuma dizer: “É preciso desmontar o mito de que cortando muito o cabelo nasce com mais força; sim, se disfarça a alopecia, mas ele não ganha mais força nem cresce melhor. O cabelo tem uma vida, que costuma obedecer a razões hereditárias, e nela não influi cortar mais ou menos”.

Quando tudo que resta da frondosa melena são quatro cabelinhos

Xavi García defende que nessa etapa de alopecia terminal “o melhor é cortar pela raiz”. “Sempre restam as técnicas de implante capilar, que estão cada vez mais eficientes e não se notam”, acrescenta.

Quique Carballo comenta que “a partir de 1992 ou 1993 começou o fenômeno de raspar cabeça. Antes, se você andava por aí de cabeça raspada perguntavam se você era skinhead ou se estava doente, mas agora está na moda e muitos vêm ao salão para raspar a cabeça. São bons clientes porque vêm a cada quinze dias, mais frequentemente que os que querem um penteado”.

Enfim, é melhor ostentar uma alegre calva a deixar crescer os quatro cabelos que restam. Porque, como diz um ditado espanhol: “Carecas com melena são feios e dão pena”.

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