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Netflix chega a 131 novos países se transforma em canal global de TV

Plataforma audiovisual online continua fora apenas da China, Coreia do Norte e Síria

O cofundador de Netflix, Reed Hastings, nas Vegas.Ethan Miller (AFP)

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Além da China, apenas Coreia do Norte, Crimeia e Síria continuam fora do alcance da rede da Netflix, que começou sua trajetória há menos de 20 anos, inicialmente como videolocadora com entregas em domicílio, e atualmente é a maior produtora e distribuidora de conteúdo audiovisual via Internet. Só em 2015, ela transmitiu 42.500 horas de conteúdos no mundo inteiro. Ela conta hoje com 70 milhões de assinantes.

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A incorporação de novos mercados onde a prática da censura é habitual não atrapalhou a chegada do serviço, segundo Chitavan Pandya Patel, diretora de aquisição de conteúdos da empresa. “Nossa política é cumprir com a regulamentação local, mas veremos caso a caso”, observou. Por enquanto, nenhum lançamento nos novos países está acompanhado de acordos com operadores locais de Internet para melhorar o serviço. “É algo que veremos mais adiante, se for necessário”, acrescentou Patel. Nos Estados Unidos, a Netflix já tem acordos econômicos com grandes provedores de serviço, como AT&T e Comcast, para conseguir uma capacidade adicional de banda larga que permita ao usuário assistir com fluidez nos horários de pico aos conteúdos em definição 1.080p.

O 1.080p, aliás, parece ficar para trás como formato padrão de alta definição. Durante a atual feira tecnológica, fala-se muito no HDR (High Dynamic Range, ou alta gama dinâmica), um formato que salta da fotografia para a imagem em movimento. A Sony apresentou na CES três novos aparelhos de TV, a linha Ultra, que terão acesso a um catálogo específico de filmes nesse padrão. A Netflix, dependendo da largura de banda disponível aos seus usuários, também prepara conteúdos tanto em 4K como em HDR, segundo Chris Jaffe, diretor de Inovação na Interface do Usuário. Uma das melhoras mais recentes na experiência televisiva – ainda a principal plataforma em que a Netflix é vista, apesar da expansão dos dispositivos móveis – é o carregamento automático dos conteúdos em vídeo. A empresa planeja também incorporar os assistentes de voz, uma das tecnologias-estrelas da atual edição da feira.

Hastings, numa conversa no final da tarde desta quarta-feira, comentou a relevância da expansão da Netflix para mais 131 países. “Vamos fazer um grande esforço. Não paramos de fechar acordos com operadoras e de criar todo o marco necessário para oferecer a qualidade de definição da Netflix”, afirmou.

Na China, por exemplo, já se vê House of Cards, mas através de um serviço local. Na Espanha, a série é exibida pelo Wuaki, serviço concorrente pertencente à Rakkuten, algo que não parece preocupá-lo. “É uma questão de tempo. Não tínhamos certeza de quando chegaríamos à Espanha, e o que de verdade queríamos era que nosso catálogo, o nosso conteúdo, fosse conhecido. Na Netflix você tem o Narcos, por exemplo, e logo terá muito mais.”

Antes de estrear no semestre passado na Itália, em Portugal e na Espanha, o site já havia chegado à Alemanha e à França. A Europa, desta vez, ficou para trás da América Latina. No subcontinente, a Colômbia foi o país-piloto, abrindo caminho para a expansão nos demais países. “Cuidamos disso com esmero. Cada vez fazemos mais conteúdo centrado no gosto deles, mas que, além disso, tenha aceitação fora desse ambiente”, disse Hastings. Como exemplo disso, ele cita Club de Cuervos e, novamente, Narcos.

A escolha do ator brasileiro Wagner Moura para interpretar Pablo Escobar foi motivo de polêmica no resto da América Latina, especialmente na Colômbia. “Entendo o receio inicial, mas ele foi esplêndido. Livrou-se do sotaque brasileiro; outra coisa é que consiga ser uma cópia exata do original até na fala”, disse Hastings, admitindo sua devoção ao ator baiano. “Adoro a forma como ele se envolve com o seu trabalho, as ideias que tem. Dou ouvidos às sugestões dele. Vamos fazer grandes coisas.”

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