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Impulso para crescer

Além da flexibilidade sobre o déficit, a Europa precisa de um grande plano de investimento

Circunstâncias fora da economia já estão influenciando a mudança, por enquanto leve, de Bruxelas para posições mais flexíveis em relação ao déficit público. É difícil implementar uma política de austeridade rigorosa se a França precisa elevar os gastos militares e de segurança para enfrentar o terrorismo; ou se a Alemanha precisa acolher mais de um milhão de refugiados. Pode-se dizer que os imprevistos obrigam a diminuir o rigor da política de déficit; também influencia o fato de que a atual Comissão tenha uma disposição diferente da anterior e a Alemanha, ocupada com os refugiados, olhe para o outro lado.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. EFE

Também é provável, além disso, que esta mudança de perspectiva seja algo mais do que um episódio conjuntural. É preciso contar, porque a prudência exige, com que a crise dos refugiados será longa e a pressão do terrorismo islâmico não vai desaparecer no curto prazo. A tolerância orçamentária vai se transformar provavelmente em uma linha de ação prolongada.

No entanto, a flexibilidade é uma compensação tímida à situação atual das economias europeia e global. Na melhor das hipóteses vai proporcionar uma modesta contribuição de dois décimos ao crescimento europeu; seu valor real é muito menor do que o simbólico. A Europa está presa em uma fase de crescimento mínimo — apesar do colapso do preço do petróleo e da desvalorização do euro — e com uma taxa de inflação excessivamente baixa que não reage à política monetária expansiva do BCE. Se o foco for ampliado, a situação é ainda mais perigosa: a crise chinesa afeta seriamente a América Latina (o crescimento conjunto esperado para este ano é zero), deprime as Bolsas mundiais e contribui para um declínio do comércio internacional.

A Europa precisa de um poderoso impulso para o crescimento. O primeiro passo é abandonar a política de austeridade a qualquer custo, embora os orçamentos nacionais mantenham a prevenção contra déficits. Mas só a tolerância de Bruxelas não é suficiente; é curta em recursos e descoordenada. É preciso novos investimentos para estimular a demanda e apoiar a política monetária expansiva. Ou conseguem convencer os investidores de que a Europa pode crescer ou 2016 será outro 2015 (baixo crescimento, pouca criação de emprego) agravada pela crise chinesa.

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