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Zidane: “Quero que os jogadores se divirtam em campo”

Novo técnico do Real diz que um treinador nunca está preparado, mas que oferece garra

Zidane, levando-se em conta que é Zidane (tímido, reflexivo e contido), transparece estar emocionado diante do desafio que o aguarda. Depois de comandar seu primeiro treino em Valdebebas (os rostos dos jogadores eram de descontração e alegria), dirigiu-se à sala de imprensa do Bernabéu para conceder sua primeira entrevista coletiva como técnico do Real. Disse que dará todo o carinho do mundo a Bale – o mais triste pela saída de Rafa Benítez –, que jogará com a BBC (Bale, Benzema, Cristiano), que seu passado como jogador o ajudará nas relações com o elenco, mas que nem por isso terá mais indulgência da presidência.

Zidane, durante a coletiva de imprensa.

Disse, também, que por mais astro que tenha sido no passado, o que conta é trabalhar e ganhar. E que essa foi a mensagem que transmitiu ao elenco na sua primeira conversa. “Em que será diferente o Real de Zidane do Real de Benítez?”, perguntou um jornalista ao francês, nesta terça-feira de terno e gravata, sentado ao lado de Emilio Butragueño, o diretor de relações institucionais do clube. “Buscarei contribuir um toque ofensivo, pessoal, quero que os jogadores se divirtam em campo”, respondeu, rejeitando qualquer comparação com Pep Guardiola, que, assim como ele, chegou à equipe principal após acumular um grande passado como jogador e uma experiência como treinador nas categorias inferiores.

“Não é preciso comparar. Guardiola é Guardiola, e eu vou tentar ser Zidane, vou tentar ser do melhor jeito possível. Ele é um treinador formidável, mas não vou me comparar, nunca fiz isso como jogador, não é como treinador que farei”, respondeu Zidane. “Aqui o futebol bonito sempre foi o mais importante, e estarei nessa linha. Quero um futebol ofensivo e equilibrado”, analisou Zizou quando perguntado sobre algum problema que tenha notado no elenco.

“Não vi problemas, e sim uma equipe concentrada, animada, dedicada ao trabalho e contente”, disse. Os rostos vistos no treino certamente confirmam suas palavras. “A popularidade e o encantamento que você desperta farão com que tenha mais complacência?”, perguntou-lhe um jornalista francês (Zidane é a 10ª mudança de treinador de Florentino Pérez). “Não, de maneira nenhuma, o papel do treinador é conseguir resultados, e será o mesmo caso comigo. Apesar do meu passado de jogador, agora começa uma nova etapa, e o importante é ganhar jogos”, respondeu.

“Sentiu vertigem e medo ontem, quando lhe ofereceram o cargo?”, perguntaram-lhe. “As sensações são boas, o que levo em conta é que nunca um treinador está preparado, e menos ainda um treinador que nunca treinou [ele chega com uma bagagem de ano e meio no Castilla, o time B do Real Madrid], mas estou motivado e tenho entusiasmo para este desafio, e isso fará com que tudo corra bem”, respondeu, com a inocência e o entusiasmo de um menino. Butragueño sorria ao seu lado.

Alguns jornalistas franceses lhe perguntaram, curiosos, como irá encarar sua aventura como treinador de primeira viagem tendo em sua conta sua reconhecida timidez. “É uma nova etapa, um novo papel, um papel no qual tive tempo de trabalhar. Vai ser um desafio difícil, complicado, mas que me entusiasma, tenho vontade de aproveitar a oportunidade que me surgiu, só quero ganhar títulos. Não sou um sujeito que fala muito, mas não tem problema… O dia-a-dia vai ser fundamental. Tenho entusiasmo e vontade de transmitir uma só coisa: ganhar e trabalhar”, declarou o técnico, de 43 anos, que assinou contrato por duas temporadas e meia.

“Estive aqui como jogador, sei como é importante para a equipe jogar um bom futebol, tentarei que se jogue rápido, vindo de trás e com a posse de bola, essa é a minha ideia do futebol”, analisou. “Está pressionado pelas expectativas?”, perguntaram-lhe. “Na medida certa, eu quero tentar transmitir garra, que ganhemos com um bom jogo, dedicação e esforço: esses são os valores do madridismo”, concluiu.

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